Análise do BIS destaca impactos de endividamento elevado

A crescente dívida pública nas Américas, que atingiu níveis sem precedentes, tem resultado em um aumento significativo dos custos de financiamento governamental e uma maior sensibilidade às expectativas de inflação, como demonstrado em uma recente análise do Banco de Compensações Internacionais (BIS).
O estudo indica que, em países com altos índices de endividamento, o impacto de déficits fiscais nos mercados financeiros é consideravelmente amplificado. Desde o início da pandemia de Covid-19 e outras crises, muitos países da América Latina têm apresentado os maiores índices de endividamento desde a década de 1960.
✨ Dívida pública na região está em máximas históricas, refletindo choques econômicos e baixa consolidação fiscal.
Além disso, o custo de serviço da dívida tem aumentado, com os gastos com juros superando as receitas fiscais na última década, o que não se deve apenas ao aumento da dívida, mas também a fatores como inflação elevada e desvalorização da moeda.
O BIS destaca que em economias emergentes, aumentos fiscais tendem a elevar os spreads de risco, especialmente em países com alta dívida. O risco associado a déficits fiscais torna-se quase três vezes maior do que em economias com menor endividamento.
A análise ressalta que a combinação de dívida elevada e taxas de juros altas pode acentuar o efeito sobre o risco, impactando a inflação através de diferentes frentes, como a desvalorização do câmbio e o aumento do custo do crédito para instituições financeiras e empresas.
Por fim, o BIS alerta que não implementar ajustes fiscais de forma oportuna pode elevar ainda mais os custos. Para enfrentar essa situação, a instituição sugere a adoção de políticas fiscais mais restritas, com regras claras de responsabilidade fiscal, transparência e estratégias que preservem investimentos essenciais.
Além disso, é enfatizada a relevância da credibilidade na política monetária e da independência do banco central para a estabilidade de preços.
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