Fernando Gonçalves, do IBGE, destaca que os efeitos do 'El Niño' ainda não são discerníveis.

O comportamento errático do clima, e não necessariamente os efeitos do fenômeno 'El Niño', pode ter comprometido a oferta de lavouras e safras, resultando em uma inflação mais elevada nos alimentos. Essa análise foi realizada por Fernando Gonçalves, economista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apresentou os dados da inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Em setembro, o IPCA registrou um aumento de 0,82%, após uma queda de 0,32% em agosto. Segundo Gonçalves, o grupo de alimentação e bebidas, que representa 25% do cálculo total do indicador, foi um dos fatores que influenciou essa mudança: os preços no setor alimentício, que haviam diminuído 0,34% em agosto, subiram 0,83% em setembro.
Os aumentos foram significativos tanto para a alimentação no domicílio quanto fora dele, com altas respectivas de 0,96% e 0,48%. Quando questionado sobre uma possível relação dos preços mais altos com o 'El Niño', Gonçalves sugeriu que é preciso ter cautela, afirmando que os efeitos desse fenômeno climático podem ser mais visíveis apenas a partir de novembro.
Além disso, ele destacou que mudanças climáticas estruturais poderiam ter um impacto real nos custos alimentares. O economista mencionou chuvas fortes no Sudeste e Sul como eventos atípicos esta época do ano, ressaltando a importância das condições meteorológicas na produção agrícola.
✨ O clima irregular e as chuvas atípicas impactam, de forma direta, a oferta de alimentos e, consequentemente, a inflação dos produtos na mesa do consumidor.
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Jornalista especializado em Economia

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