Assessoria aponta que estruturação em dólares pode beneficiar produtores rurais.

A relação entre a moeda da receita e a moeda da dívida pode afetar significativamente o risco de crédito de empresas e produtores ligados à exportação. De acordo com Drew Crawford, assessor de capital transfronteiriço, essa dinâmica ajuda a explicar porque uma fazenda de soja pode, em certas condições, representar um risco de crédito inferior ao do próprio país onde está situada.
A lógica se fundamenta na origem dos recursos utilizados para saldar uma dívida. Os governos arrecadam majoritariamente em moeda local e necessitam convertê-la em dólares para cumprir compromissos que estão denominados na moeda americana. Em contraste, uma fazenda que exporta sua produção pode receber as receitas diretamente em dólar, minimizando esse descompasso.
✨ As agências de classificação de risco começaram a considerar essa diferença no final da década de 1990, quando algumas empresas passaram a receber notas superiores às de seus próprios governos.
No Brasil, um exemplo apresentado por Crawford é o da Suzano, uma produtora de celulose que possui classificação acima da nota soberana nas três principais agências de classificação de risco, sendo que a maior parte de suas receitas ad vem de compradores internacionais.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao financiamento agrícola. Muitas fazendas brasileiras continuam a tomar crédito em reais, mesmo quando uma parte significativa de sua receita provém de exportações. Nesse contexto, o aumento das taxas de juros locais, aliado a quedas nos preços das commodities, pode intensificar a pressão financeira sobre operações que são economicamente saudáveis.
Crawford sugere que uma alternativa viável seria estruturar empréstimos em dólar, vinculando-os às safras já comercializadas com grandes compradores internacionais. O pagamento poderia ser feito diretamente pelo comprador ao credor, com a operação sendo estruturada através de Certificado de Produto Rural (CPR) com liquidação física. O objetivo principal é alinhar a moeda da dívida à moeda da receita, atenuando os riscos gerados por flutuações cambiais e pelo custo do crédito doméstico.
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Jornalista especializado em Economia

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