A mistura obrigatória continua em 15%, com a possibilidade de aumento indefinida.

Em 2026, o biodiesel chega ao fim do ano em um cenário de margens apertadas e com a mistura obrigatória estacionada em 15%. Embora a Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024) tenha estabelecido uma meta de 16% a partir de março de 2026, o país continua operando no B15, vigente desde agosto de 2025.
A nova legislação determina metas, mas a responsabilidade pela definição do percentual obrigatório cabe ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que deve analisar a viabilidade técnica para qualquer aumento acima de 15%. A reunião do conselho que poderia abordar o tema foi cancelada, deixando o cronograma indefinido. O Ministério de Minas e Energia (MME) deve publicar um cronograma atualizado dos testes até 30 de novembro, mas a perspectiva é que o aumento pode demorar até o segundo semestre de 2027.
✨ A avaliação indica que um aumento da mistura para B16 pode ocorrer apenas em agosto de 2027, devido a necessidades de testes e validações ainda pendentes.
Atualmente, a demanda de biodiesel já está em níveis recordes, mesmo sem o aumento da mistura. Entre janeiro e setembro de 2026, o consumo de matérias-primas para a produção alcançou 7,92 milhões de metros cúbicos, um aumento de 8,8% em relação ao ano passado. No mesmo período, a soja teve um desempenho significativo, com 5,36 milhões de toneladas utilizadas no biodiesel, resultando em uma participação de 73,7% na matriz do biocombustível.
As margens do setor, no entanto, permanecem sob pressão. O Índice Safras & Mercado de Biodiesel (S&MBIO BR) reportou um preço de R$ 6.515 por metro cúbico em outubro, enquanto o óleo de soja subiu, pressionando ainda mais os custos de produção. A subvenção ao diesel fóssil e o aumento da demanda por óleo de soja compõem um cenário complexo para o biodiesel, que se torna cada vez mais vulnerável a fatores externos.
A introdução de um B16 em março teria a vantagem de coincidir com o pico da colheita, enquanto um aumento em agosto pode tornar o óleo de soja mais caro para as usinas. Essa situação é preocupante para o mercado, que depende fortemente do desempenho da cultura da soja e das condições climáticas.
Além disso, fatores climáticos, como o El Niño, podem impactar a produção agrícola e a oferta de soja nos próximos anos, limitando ainda mais o fornecimento de óleo para a produção de biodiesel. Em resumo, o setor de biodiesel enfrenta um futuro incerto, com grandes desafios a serem superados até 2027.
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