Munther Isaac denuncia a instrumentalização da Bíblia para justificar ações de Israel em entrevista no Brasil.

No Natal de 2023, o líder cristão palestino Munther Isaac decidiu se manifestar acerca das mortes em Gaza ao montar um presépio em sua igreja, apresentando o Menino Jesus sob escombros e coberto com um lenço palestino, símbolo da resistência.
Ele, que na época era pastor da Igreja Luterana de Belém, na Cisjordânia, clamou pela atenção mundial. Atualmente, Isaac lidera a igreja em Ramallah e, em uma recente entrevista durante sua visita ao Brasil, criticou a instrumentalização da Bíblia para justificar as violações de direitos humanos dos palestinos por parte de Israel.
✨ Isaac denuncia: 'Pela definição do direito internacional, isso é limpeza étnica'.
Em suas declarações, Isaac afirmou que na Cisjordânia não há cessar-fogo real, uma vez que os ataques continuaram. Ele enfatizou a constante anexação de terras pelo governo israelense e o aumento da construção de assentamentos, que resultaram no corte da cidade de Ramallah ao meio.
Em resposta a questionamentos sobre a situação dos palestinos, declarou que todos são alvos de ataque e que o objetivo de Israel é forçar os palestinos a abandonar suas terras, o que, pelo direito internacional, configura limpeza étnica.
Isaac também expressou sua indignação quando o argumento bíblico é usado para justificar atos violentos, defendendo que textos religiosos devem promover a união e a justiça, e não a supremacia ou a limpeza étnica.
O pastor criticou a desinformação entre evangélicos no Brasil, que, segundo ele, têm sido induzidos a acreditar que a Bíblia justifica o apoio a Israel, ignorando a realidade dos palestinos, incluindo sua história e suas lutas.
Enfatizando a falta de esperança na responsabilização dos crimes cometidos por Israel, Isaac ressaltou a necessidade de que a comunidade internacional imponha sanções e isole Israel para que a justiça possa prevalecer. Ele concluiu expressando ser um momento crucial na história, onde a ausência de responsabilização pode levar à irrelevância da justiça global.
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Jornalista especializado em Internacional

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