Condenado pelo STF, ele permanece nos EUA com asilo negado e enfrenta processo de deportação.

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por sua participação em tentativa de golpe de Estado durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro, permanece nos Estados Unidos de forma irregular. A situação foi revelada por meio de uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) em colaboração com a Agência Pública.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) confirmou a ilegalidade da permanência do brasileiro no país. De acordo com o órgão, o pedido de asilo apresentado por Ramagem não confere qualquer status legal, e ele está sujeito a um processo de deportação. O ex-diretor entrou nos EUA com um visto de turista que já havia expirado.
Apesar de ter sido detido em Orlando pela polícia imigratória (ICE) em abril, Ramagem ficou sob custódia apenas por dois dias e foi liberado sem precisar pagar fiança. Sua libertação contou com a intervenção de figuras da extrema-direita, como o Secretário de Estado Marco Rubio e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o que gerou um ruído institucional interno e uma retaliação diplomática por parte dos EUA.
✨ O Ministério das Relações Exteriores do Brasil reagiu rapidamente, suspendendo a autorização de um agente de imigração dos EUA em Brasília, em defesa da soberania nacional.
O Departamento de Estado norte-americano acabou expulsando o oficial de ligação da Polícia Federal brasileira em Miami, alegando falsamente que ele havia manipulado o sistema imigratório. O Ministério da Justiça brasileiro já formalizou um pedido de extradição de Ramagem em dezembro do ano passado, que continua sem resposta das autoridades americanas.
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Jornalista especializado em Justiça

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