Decisão do TSE requer autorização prévia para transporte, dificultando acesso de indígenas às urnas

A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão de partes de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que institui a necessidade de autorização prévia da Justiça Eleitoral para cada operação de transporte de eleitores indígenas por órgãos públicos.
Em sua argumentação, o procurador-geral Paulo Gonet menciona que essa exigência pode dificultar o acesso de muitos indígenas às urnas no segundo turno, que ocorrerá no próximo domingo (25), especialmente por conta do tempo curto para seguir os procedimentos burocráticos necessários.
✨ No primeiro turno, 26% dos eleitores indígenas se abstiveram de votar, em contraste com a média nacional de 20%.
Além disso, na quinta-feira (22), a Justiça Federal do Pará determinou que a União assegurasse o transporte gratuito de indígenas e moradores de comunidades tradicionais até os locais de votação, incluindo também comunidades quilombolas. Essa determinação permite o uso de veículos e embarcações públicas, além de apoio financeiro e logístico.
Na sexta-feira (23), o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, decidiu que todas as operações de transporte devem receber aprovação expressa da autoridade eleitoral, considerando insuficiente apenas a comunicação dos itinerários, horários e pontos de embarque.
A PGR busca derrubar essa exigência e restabelecer as decisões da Justiça Federal, que permitiram o transporte com uma simples comunicação dos deslocamentos, sem a necessidade de autorização para cada operação.
O pedido também ressalta que devem ser mantidas medidas de controle, como a identificação dos veículos e condutores, além da proibição de propaganda eleitoral durante o transporte. As operações podem ser bloqueadas pela Justiça Eleitoral se houver riscos à regularidade da votação.
O caso das comunidades indígenas do Vale do Javari, no Amazonas, é um exemplo mencionado no pedido. Em 20 de outubro, a Justiça Eleitoral local negou um pedido para transporte fluvial de eleitores de 43 aldeias, por descumprimento de etapas burocráticas.
Em uma tentativa de resolver a situação, representantes de diversas instituições se reuniram e definiram uma solução logística alternativa com o fornecimento de combustível e uso de embarcações das próprias famílias.
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