Resgate de 12 Trabalhadores em Angatuba Revela Condições Análogas à Escravidão
Operação do Ministério Público do Trabalho expõe a realidade de trabalhadores na colheita de laranja em São Paulo.

Na última quinta-feira (26), uma operação realizada em Angatuba, interior de São Paulo, resultou no resgate de doze trabalhadores rurais que estavam em condições análogas à escravidão. A atividade deles era a colheita de laranjas, segundo informações do Ministério Público do Trabalho (MPT).
Condições precárias e abuso
Durante a operação, procuradores, auditores fiscais do trabalho, e policiais militares encontraram o grupo alojado em condições deploráveis, sem acesso a água potável e sem receber seus salários. As moradias eram casas precárias que não possuíam camas adequadas, e muitos dormiam no chão, sobre colchões em péssimas condições e cercados por sujeira e fiações expostas.
"A situação encontrada era alarmante; os trabalhadores estavam completamente à mercê da exploração e sem condições mínimas de dignidade – nota do MPT.
✨ Responsável pelos alojamentos, o traficante de mão-de-obra conhecido como 'gato' recrutou os trabalhadores, que não tinham registro formal de emprego.
Contexto da Situação
Os trabalhadores, oriundos do Nordeste, foram atraídos com a promessa de um pagamento semanal de cerca de R$ 750, mas enfrentaram descontos ilegais referentes à moradia e alimentação.
Após o término da colheita, no dia 18 de março, os trabalhadores não receberam nenhum tipo de assistência, o que os deixou sem recursos para sobreviver ou retornar para suas regiões de origem. Em busca de ajuda, procuraram o Ministério do Trabalho, o que gerou o início das investigações.
- 1Trabalhadores alojados em condições insalubres
- 2Promessa de salários não cumprida
- 3Recrutador atuando como intermediário
- 4Ameaças feitas aos trabalhadores após resgate
Durante a operação, foi sugerido um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) ao proprietário da fazenda, que incluiria o pagamento das verbas rescisórias e indenizações. No entanto, o fazendeiro rejeitou o acordo.
O montante devido aos trabalhadores é estimado em R$ 126 mil, além de uma solicitação de R$ 20 mil por trabalhador em indenizações por danos morais individuais e R$ 1 milhão por danos morais coletivos. Caso o proprietário continue a recusar, o MPT pretende recorrer à Justiça, incluindo um pedido de bloqueio de bens.
Após o resgate, os trabalhadores relataram ter recebido ameaças do intermediário e, para garantir a segurança deles, foram transferidos para Itapetininga sob a supervisão das autoridades.
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