Voltar
Justiça
2 min de leitura

Resgate de 12 Trabalhadores em Angatuba Revela Condições Análogas à Escravidão

Operação do Ministério Público do Trabalho expõe a realidade de trabalhadores na colheita de laranja em São Paulo.

Gabriel Azevedo30 de março de 2026 às 16:55
Resgate de 12 Trabalhadores em Angatuba Revela Condições Análogas à Escravidão

Na última quinta-feira (26), uma operação realizada em Angatuba, interior de São Paulo, resultou no resgate de doze trabalhadores rurais que estavam em condições análogas à escravidão. A atividade deles era a colheita de laranjas, segundo informações do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Condições precárias e abuso

Durante a operação, procuradores, auditores fiscais do trabalho, e policiais militares encontraram o grupo alojado em condições deploráveis, sem acesso a água potável e sem receber seus salários. As moradias eram casas precárias que não possuíam camas adequadas, e muitos dormiam no chão, sobre colchões em péssimas condições e cercados por sujeira e fiações expostas.

"

A situação encontrada era alarmante; os trabalhadores estavam completamente à mercê da exploração e sem condições mínimas de dignidade – nota do MPT.

Responsável pelos alojamentos, o traficante de mão-de-obra conhecido como 'gato' recrutou os trabalhadores, que não tinham registro formal de emprego.

Contexto da Situação

Os trabalhadores, oriundos do Nordeste, foram atraídos com a promessa de um pagamento semanal de cerca de R$ 750, mas enfrentaram descontos ilegais referentes à moradia e alimentação.

Após o término da colheita, no dia 18 de março, os trabalhadores não receberam nenhum tipo de assistência, o que os deixou sem recursos para sobreviver ou retornar para suas regiões de origem. Em busca de ajuda, procuraram o Ministério do Trabalho, o que gerou o início das investigações.

  • 1Trabalhadores alojados em condições insalubres
  • 2Promessa de salários não cumprida
  • 3Recrutador atuando como intermediário
  • 4Ameaças feitas aos trabalhadores após resgate

Durante a operação, foi sugerido um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) ao proprietário da fazenda, que incluiria o pagamento das verbas rescisórias e indenizações. No entanto, o fazendeiro rejeitou o acordo.

O montante devido aos trabalhadores é estimado em R$ 126 mil, além de uma solicitação de R$ 20 mil por trabalhador em indenizações por danos morais individuais e R$ 1 milhão por danos morais coletivos. Caso o proprietário continue a recusar, o MPT pretende recorrer à Justiça, incluindo um pedido de bloqueio de bens.

Após o resgate, os trabalhadores relataram ter recebido ameaças do intermediário e, para garantir a segurança deles, foram transferidos para Itapetininga sob a supervisão das autoridades.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de Justiça