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Meio Ambiente
2 min de leitura

Aumento de moluscos exóticos no Brasil preocupa especialistas

Estudo revela crescimento de espécies invasoras e suas implicações

Gabriel Rodrigues24 de julho de 2026 às 19:15
Aumento de moluscos exóticos no Brasil preocupa especialistas

Nos últimos 15 anos, o número de espécies exóticas de moluscos no Brasil saltou de 26 para 82, conforme apontado pelo primeiro inventário nacional sobre esses organismos. Dentre as novas espécies identificadas, 20 são classificadas como invasoras, podendo causar danos ecológicos, socioeconômicos ou à saúde da população.

A pesquisa, publicada na revista Biological Invasions, foi liderada por Fabrizio Marcondes Machado, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e contou com a colaboração de cientistas de várias instituições brasileiras. O objetivo foi fornecer um panorama mais claro sobre a introdução de moluscos não nativos no Brasil.

O mexilhão-dourado e o caramujo-africano estão entre as espécies invasoras mais problemáticas identificadas.

Os resultados revelam uma taxa crescente de introdução dessas espécies no país e demonstram lacunas no conhecimento taxonômico e ecológico dos moluscos invadidos. O pesquisador Marcel Sabino Miranda ressalta a urgência de fortalecer as medidas de biossegurança e implementar programas de monitoramento eficazes para detectar novas invasões.

Espécies Invasoras em Detalhe

O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) é um exemplo notório de molusco invasor, tendo chegado ao Brasil nos anos 1990. Espalhando-se pela América do Sul, essa espécie causa sérios problemas em usinas hidrelétricas, resultando em custos elevados para o seu controle, que já somam aproximadamente 10 milhões de dólares.

Outro molusco problemático, o caramujo-africano (Lissachatina fulica), foi inicialmente introduzido para cultivo, mas acabou se espalhando pelo território nacional, representando uma praga agrícola e um vetor de parasitas perigosos, como o causador de meningite.

Contexto

Invasões biológicas, como as causadas por moluscos exóticos, são um dos principais desafios para a biodiversidade global. Embora o foco tenha sido predominantemente em peixes e mamíferos, este estudo traz à luz a necessidade urgente de atenção às espécies de moluscos.

O levantamento também incluiu 13 espécies com origem indefinida, conhecidas como criptogênicas. A dificuldade em classificá-las deve-se à falta de estudos biogeográficos e moleculares que sustentem suas origens.

  • 132 espécies marinhas e estuarinas
  • 217 espécies de água doce
  • 333 espécies terrestres

A categorização das espécies segue diretrizes do Ministério do Meio Ambiente e da IUCN, que classifica as espécies invasoras com base nos seus impactos. Isso inclui aquelas que estão sob controle e aquelas que já estabelecem populações em ambientes naturais.

Marcel Miranda conclui que o estudo é um passo inicial fundamental para a compreensão desse problema e para o desenvolvimento de políticas voltadas para mitigar os impactos das espécies invasoras no Brasil.

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