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Meio Ambiente
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Estudo revela poluição alarmante no Rio Tietê, incluindo agrotóxicos

Investigação da SOS Mata Atlântica lista contaminantes variados na água

Gabriel Rodrigues23 de julho de 2026 às 19:30
Estudo revela poluição alarmante no Rio Tietê, incluindo agrotóxicos

Um estudo publicado pela ONG SOS Mata Atlântica, em colaboração com quatro universidades, destacou a grave poluição do Rio Tietê, revelando a presença de 25 tipos de agrotóxicos, além de químicos inquietantes como cocaína e microplásticos. A pesquisa foi feita durante uma expedição de cinco dias, abrangendo 14 pontos da nascente em Salesópolis até sua desembocadura em Itapura.

São evidências preocupantes

Os resultados da análise reforçam a ideia de que os investimentos na despoluição do Rio Tietê, como o programa Integra Tietê, não têm sido suficientes para as diversas fontes de contaminação. Os agrotóxicos, encontrados ao longo de todo o curso do rio, são particularmente alarmantes.

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A presença de agrotóxicos pode ser atribuída, principalmente, ao uso agrícola nas áreas rurais, mas também a produtos domésticos nas áreas urbanas

Cesar Pegoraro, biólogo da SOS Mata Atlântica.

Os dados revelaram que os agrotóxicos se acumulam em concentrações acima dos limites legais, com destaque para a atrazina, um herbicida banido na União Europeia desde 2004, que foi encontrado em níveis alarmantes em algumas amostras.

Em alguns pontos, a atrazina foi detectada em concentrações até 25 vezes superiores ao permitido pela legislação brasileira.

O caminho da contaminação

Os agrotóxicos chegam ao rio principalmente por meio da lixiviação e do escoamento superficial, processos que se agravam com a falta de estruturas naturais de retenção e a degradação da mata ciliar.

Durante a análise, a equipe notou que a contaminação aumentava ao longo do Tietê, associada ao uso excessivo de insumos químicos nas monoculturas, especialmente cana-de-açúcar e soja.

Riscos de monitoramento inadequado

Os pesquisadores também observaram que a metodologia atual de classificação da água, com base no Índice de Qualidade da Água (IQA), falha em considerar a presença de agrotóxicos, o que poderia levar a categorizações enganosas de boa qualidade.

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A água do rio é considerada de boa qualidade sem que contaminantes importantes, como agrotóxicos, sejam levados em conta

Cesar Pegoraro.

A SOS Mata Atlântica alerta que métodos tradicionais de tratamento não conseguem eliminar esses compostos, o que representa um risco significativo para o abastecimento e a saúde pública.

Diante da gravidade da situação, a organização defende a necessidade de um princípio de precaução para evitar a poluição da água.

Resposta do governo

Por outro lado, a Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo declarou que o Programa Integra Tietê tem mostrado eficiência, com uma redução de 21% na carga de poluição do rio nos últimos dois anos.

As autoridades destacaram que a iniciativa contempla ações de saneamento, recuperação de áreas ao longo do rio e monitoramento contínuo da qualidade da água.

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