Conglomerado de moda encerra atividades após 15 meses

A cisão da Azzas 2154, um conglomerado que agrupa marcas como Farm, Hering, Animale e Schutz, foi oficialmente anunciada nesta quarta-feira, 2 de fevereiro. Este desmembramento ocorre menos de dois anos após a formação da empresa, resultado da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma em 2024.
Os fundadores Alexandre Birman, da Arezzo&Co, e Roberto Luiz Jatahy, do Grupo Soma, enfrentaram desavenças que culminaram na separação. Nos últimos meses, a empresa passou por intensas mudanças em sua alta gestão, refletindo as dificuldades de governança e impasses entre os executivos.
Após a fusão, as mudanças no comando da Azzas começaram em maio de 2025. O primeiro a deixar a companhia foi Guilherme Benchimol, ex-fundador da XP, que se afastou alegando compromissos profissionais. André De Vivo assumiu seu lugar. Também em junho, houve uma reestruturação no conselho, com a nomeação de Nicola Calicchio Neto como presidente e Marcel Sapir como vice-presidente, substituindo Pedro Parente e Anna Chaia.
A instabilidade continuou com a saída de outros executivos, incluindo Rony Meisler, da Reserva, e, recentemente, Calicchio Neto, que deixou a presidência após um ano.
✨ Em um período, a Azzas registrou uma queda de 45,7% no lucro líquido, caindo para R$ 63,9 milhões.
Além das readequações na gestão, a Azzas enfrentou um desempenho financeiro decepcionante. Entre janeiro e março de 2026, a empresa viu seu lucro líquido cair 45,7%, de R$ 117,7 milhões para R$ 63,9 milhões. Esse resultado também trouxe uma drástica diminuição de 62% em comparação com o final de 2025, quando o lucro líquido era de R$ 168 milhões.
Alexandre Birman, presidente da companhia, reconheceu que os resultados ficaram abaixo do esperado e não refletem o potencial da empresa. O sentimento de cautela tomou conta do mercado, gerando desconfiança sobre o futuro das vendas.
Outro evento significativo ocorreu em maio, quando Jatahy entrou com um processo contra Birman, a fim de bloquear alterações internas. A Justiça acatou o pedido, impedindo mudanças na estrutura da empresa e confirmando Jatahy como responsável por divisões de vestuário feminino e masculino. A Azzas expressou surpresa com o andamento da ação judicial e prometeu buscar mais informações sobre o caso.
A fusão que originou a Azzas 2154 envolveu duas empresas influentes no segmento de moda. A Arezzo&Co focava em calçados e acessórios, enquanto o Grupo Soma tinha forte atuação em vestuário. Juntos, eles criaram um gigante do varejo nacional com uma impressionante quantidade de marcas e lojas, além de faturamento em torno de R$ 12 bilhões.
No entanto, a expectativa de um crescimento forte após a fusão não se concretizou, resultando em um panorama desafiador para a nova organização.
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Jornalista especializado em Negócios

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