Novas tarifas nos EUA podem impactar compliance e reputação do Brasil

Os Estados Unidos estão considerando a implementação de uma tarifa extra de 12,5% sobre produtos envolvidos em investigações de trabalho forçado, causando um aumento preocupante na pressão reputacional sobre os exportadores brasileiros.
Esse novo imposto, combinado com os 25% já estabelecidos na Seção 301, poderia fazer a alíquota total chegar a 37,5% para determinados produtos do Brasil. Embora áreas cruciais do agronegócio, como carnes, café, suco de laranja e petróleo, estejam fora da investigação imediata, especialistas alertam que a pressão sobre a reputação e as exigências de conformidade poderão atingir toda a cadeia produtiva.
✨ Pressão reputacional pode ser mais impactante que a própria tarifa.
Analistas, como Cassio Viana de Jesus, diretor da Pilar Capital, afirmam que o impacto imediato sobre as exportações deve ser contido, pois os setores mais afetados estão fora do foco das novas tarifas. Contudo, ele ressalta que a intersecção de diferentes listas de tarifas pode trazer surpresas prejudiciais.
André Matos, CEO da MA7 Negócios, complementa que o trabalho análogo à escravidão no Brasil é restrito a setores específicos e cita a rigorosa legislação brasileira que combate essas práticas. No entanto, ele enfatiza que a combinação de tarifas e riscos reputacionais pode desviar investimentos estrangeiros significativos.
A preocupação com a reputação é um ponto em comum entre os especialistas. A simples menção ao Brasil em discussões sobre trabalho forçado pode desencadear reações em compradores internacionais, levando-os a solicitar maior transparência e conformidade.
Além do comércio, o setor de crédito também reage a esses riscos, como destaca Assis da Asset Bank. O aumento da seletividade no crédito para empresas em setores vulneráveis pode limitar o acesso ao capital, elevando a necessidade de compliance reforçado.
Com um cronograma de consulta pública definido, o Brasil possui cerca de seis semanas para formular uma resposta estratégica, incluindo a diplomática, a multilateral, e a focada na reputação.
O Brasil deve contatar o USTR para contestar a classificação do país, fornecer evidências de fiscalização efetiva e mobilizar setores exportadores para melhorar a rastreabilidade.
Ainda que o cenário atual permaneça administrável, a celeridade na elaboração de uma resposta poderá ser crucial para minimizar os danos e manter a confiança no mercado internacional.
Em suma, a capacidade de comprovar compliance e boa governança será determinante para os exportadores brasileiros enfrentarem os novos desafios impostos pelas tarifas dos EUA.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Jornalista especializado em Negócios

Indústria se posiciona contra tarifas propostas por Trump

Cinco capítulos estão próximos do fechamento em Toronto

Entidade apresenta o projeto Brazilian Beef com 19 empresas parceiras

Exportadores alteram estratégias para negócio no mercado chinês