Governo testa aumento de etanol na gasolina comum para 35%; especialistas alertam sobre riscos.

O governo autorizou o início dos testes que aumentam a mistura de etanol na gasolina comum, elevando-a para 35%, sendo que atualmente a mistura é de 32%. A medida planejada ainda precisa passar por etapas antes de a nova composição chegar aos postos de combustíveis. Entretanto, já surgem questionamentos sobre os possíveis danos a veículos com motores projetados para funcionar apenas com gasolina.
Profissionais da área, ouvidos por especialistas da G1, concordam que a nova formulação da gasolina terá um impacto maior nos carros mais antigos, no entanto, os modelos mais recentes também não estão imunes a problemas potenciais. Os efeitos incluem aumento no consumo de combustível e redução na autonomia dos veículos movidos exclusivamente a gasolina.
✨ Segundo Tenório Júnior, técnico e professor de mecânica automotiva, quanto mais etanol for adicionado à gasolina, mais difícil se torna a queima ideal do combustível.
Ele explica que a taxa de compressão dos motores projetados para gasolina é inferior à dos motores flex, dificultando o aproveitamento do combustível e levando a falhas, perda de potência e problemas nas partidas a frio.
Entre os componentes que podem ser afetados pelas mudanças no combustível estão os carburadores, que não possuem a capacidade de adaptação à nova mistura. Nos veículos equipados com carburador, há risco de corrosão e desempenho reduzido devido ao etanol.
Os tanques de combustível metálicos nos carros mais antigos também são uma preocupação, uma vez que podem necessitar de substituição por conta da maior concentração de etanol. Já os tanques plásticos, comuns nos veículos fabricados após os anos 2000, são menos propensos a danos.
Outros aspectos afetados incluem a bomba de combustível, que pode enfrentar problemas devido à absorção de umidade, e os bicos injetores, que tendem a apresentar falhas quando sujeitos a uma demanda maior pela alteração no combustível. As velas de ignição também podem apresentar desgaste, contribuindo para falhas de combustão.
Para veículos que não utilizam carburadores, a ECU, ou módulo de injeção eletrônica, pode ser recalibrada para se adequar à nova mistura de etanol. Contudo, nas versões mais antigas, adaptar o carburador pode ser uma tarefa complicada e prolongada.
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Jornalista especializado em Notícias

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