Projeções do Bradesco BBI indicam mudanças significativas no setor de combustíveis.

Os veículos elétricos e híbridos no Brasil devem alcançar 31% da frota total até 2035, conforme aponta uma nova pesquisa do Bradesco BBI divulgada nesta quinta-feira. Este crescimento acentuado pode alterar diretamente o cenário do mercado de combustíveis, incluindo gasolina e etanol, além de afetar a arrecadação de impostos associados a esses produtos.
Nos primeiros sete meses de 2026, as vendas de veículos eletrificados atingiram 212 mil unidades, representando um crescimento significativo e aumentando sua participação no mercado automotivo para 16%, um avanço notável em comparação aos 4% registrados em 2023. Entretanto, apesar deste crescimento, esses veículos ainda representem uma pequena fração da frota total, correspondendo a apenas 3% do total de 36,5 milhões de veículos em circulação.
✨ Estimativas indicam que a participação dos elétricos pode crescer para 10% em 2029, 20% em 2032 e 31% em 2035.
O relatório enfatiza a necessidade de desenvolvimento de novos mercados para o etanol, sugerindo sua utilização no transporte marítimo e em máquinas agrícolas, setores que podem oferecer grandes oportunidades de descarbonização. Também é mencionada a possibilidade da produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) a partir de etanol e da geração de energia elétrica através da queima do bagaço de cana.
A infraestrutura de recarga para veículos elétricos tem crescido rapidamente, com aproximadamente 800 pontos em 2021, que saltaram para 14.827 pontos em 2025, embora a maioria ainda esteja concentrada em São Paulo. Esse aumento na frota de veículos eletrificados deverá impulsionar substancialmente a demanda energética, estimando-se que a necessidade de eletricidade para recarga alcance cerca de 13,5 TWh em 2035.
Por outro lado, o relatório alerta para o risco de perda de arrecadação tributária, uma vez que uma parte considerável da receita do governo depende dos combustíveis fósseis. Embora a queda projetada no consumo de combustíveis não seja drástica em um primeiro momento, a longo prazo, o aumento da penetração de veículos eletrificados pode impactar as finanças públicas.
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