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política
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Senado aprova lei que impede aborto para crianças vítimas de abuso

Projeto gera repercussão entre ministério da Saúde e ativistas

Tiago Abech03 de junho de 2026 às 18:15
Senado aprova lei que impede aborto para crianças vítimas de abuso

O Senado Federal aprovou na terça-feira (2) um projeto de decreto que dificulta a realização de abortos legais em crianças que são vítimas de estupro, uma decisão que provocou reações do governo e de defensores dos direitos humanos.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, declarou que o governo manterá seu compromisso de seguir a legislação brasileira em relação aos direitos das vítimas de violência sexual. "Vamos continuar cumprindo a lei; a orientação do SUS é essa", afirmou Padilha, destacando o direito das mulheres afetadas por esses crimes.

O projeto suspende uma resolução do Conanda que assegurava o acesso ao aborto legal para menores, o que pode prejudicar o suporte a essas vítimas.

A proposta foi aprovada rapidamente, em uma sessão marcada por uma votação simbólica que durou apenas 1 minuto e 42 segundos. Com isso, suspende os efeitos de uma norma do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que regulamentava o direito ao aborto legal para menores desde janeiro de 2025.

A resolução em questão estabelecia que a gravidez em meninas representa riscos significativos à saúde física e mental, podendo resultar em sérios impactos sociais e pessoais. Além disso, garantiu às vítimas o direito de serem informadas sobre suas opções, assim como a autonomia para decidir sobre a interrupção da gravidez.

Contexto

É importante notar que, de acordo com a legislação brasileira, a relação sexual com menores de 14 anos é considerada estupro, assegurando direitos às vítimas para acesso a serviços de saúde adequados.

A norma do Conanda enfatizava a obrigatoriedade de informar aos jovens sobre seus direitos, independentemente da presença de responsáveis legais, permitindo que fossem acompanhados durante os procedimentos de aborto por profissionais capacitados.

A revogação da resolução pode dificultar o acesso ao aborto legal em casos de risco à saúde, anencefalia fetal e, especialmente, em situações de violência sexual, aumentando ainda mais as vulnerabilidades enfrentadas por essas adolescentes.

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