Pacientes relatam condições precárias e falta de recursos no Icesp, impulsionadas por terceirizações

Uma paciente com câncer cerebral desabafou sobre as condições caóticas do pronto-socorro do Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp), destacando a falta de recursos e a superlotação do local. Segundo relato, o ambiente é marcado por lixeiras cheias, chão sujo e poltronas quebradas que deveriam servir de leito para as pessoas internadas.
Apesar de ser uma unidade do Hospital das Clínicas da USP, as críticas se intensificam devido à gestão precarizada da saúde pública, caracterizada pela priorização de repasses a Organizações Sociais (OSs) em detrimento do orçamento direto das instituições públicas. O governador Tarcísio de Freitas é alvo de críticas por escolher direcionar verbas a entidades filantrópicas em lugar de melhorar a estrutura existente.
✨ O orçamento da saúde em 2024 cresceu 20,1%, mas a maior parte foi canalizada para a iniciativa privada, com apenas 2,2% de reajuste para a rede própria do estado.
Com as mudanças na gestão da saúde, a quantidade de servidores concursados caiu de 45 mil para pouco mais de 30 mil, resultando em um quadro cada vez mais debilitado. O presidente do SindSaúde-SP, Gervásio Foganholi, afirma que essa situação reflete uma pedagogia deliberada de caos, onde a falta de servidores tem servido como justificativa para transferir hospitais para a gestão de OSs.
As críticas também são direcionadas à falta de transparência nas compras de insumos pelas OSs, que muitas vezes não são submetidas ao mesmo controle que as unidades públicas. Dois Projetos de Lei apresentados na Assembleia Legislativa buscam exigir mais transparência e fiscalização sobre os contratos firmados com OSs, refletindo a crescente preocupação com a gestão da saúde no estado.
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Jornalista especializado em Saúde

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