Pesquisa revela que o estigma e o medo de parecer frágil dificultam busca por tratamento

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel revelou que 68% dos 3.266 brasileiros entrevistados relataram sentir-se nervosos, ansiosos ou muito tensos. No entanto, 55,8% deles não buscaram o auxílio de um profissional de saúde para lidar com a ansiedade.
Esse cenário destaca um dos principais desafios em saúde mental: muitos reconhecem seu sofrimento, mas ainda assim adiariam o cuidado. Entre as razões estão a tentativa de normalizar os sintomas e o medo de parecer frágil. A Organização Mundial da Saúde também enfatiza que o estigma e a falta de acesso são barreiras significativas para o tratamento de transtornos de ansiedade.
Erica Rodrigues, professora da DomEduc e especialista em saúde mental no ambiente corporativo, explica que o primeiro obstáculo é reconhecer quando a ansiedade interfere efetivamente na vida do indivíduo. "O alerta aparece quando a ansiedade se torna parte da rotina, afetando negativamente o sono, o trabalho e os relacionamentos", afirma.
✨ Segundo especialistas, muitos fatores colaboram para que as pessoas identifiquem a necessidade de ajuda, mas hesitem em buscá-la, como o medo de parecer fraco e problemas de isolamento.
Mara Leme Martins, psicóloga e VP do BNI Brasil, destaca que, mesmo rodeadas de pessoas, alguns não conseguem compartilhar seus sentimentos, o que piora o isolamento. "Superar a dificuldade de pedir ajuda e cultivar conexões mais profundas é essencial", ressalta.
Os especialistas listam alguns motivos que podem explicar a hesitação em buscar ajuda: muitos se acostumam com o sofrimento, acreditando que a ansiedade faz parte de sua rotina; há um medo de parecer fraco, especialmente em ambientes de alta pressão; outros tentam enfrentar os problemas sozinhos, sem redes de apoio; e alguns esperam até o limite do sofrimento para buscar ajuda.
A importância de abrir espaço para conversas sobre saúde mental também foi ressaltada. "Quanto mais normalizarmos a busca por ajuda, mais cedo as pessoas conseguem expressar suas dificuldades", conclui Erica Rodrigues.
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