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Saúde
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Estudo revela que mexilhões ingerem microplásticos no Rio de Janeiro

Pesquisa da Unirio aponta riscos da contaminação por microplásticos

Ricardo Alves15 de junho de 2026 às 12:20
Estudo revela que mexilhões ingerem microplásticos no Rio de Janeiro

Uma nova pesquisa da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) sugere que mexilhões podem atuar como um vetor de microplásticos para o corpo humano. O estudo, divulgado nesta segunda-feira (15), destaca como esses moluscos filtram a água em seu habitat natural, confundindo microalgas, seus alimentos, com micropartículas de plástico.

Metodologia da Pesquisa

Para a pesquisa, foram coletados mexilhões marrons (Perna perna) na Praia Vermelha, localizada na zona sul do Rio de Janeiro. No laboratório, as condições ambientais foram reproduzidas para observar a filtração de água e a alimentação dos mexilhões. Eles foram divididos em três grupos: um recebeu somente microalgas, outro só microplásticos, e o último uma mistura de ambos.

Os mexilhões não diferenciaram entre microalgas e microplásticos durante o experimento.

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O estudo revelou que os mexilhões consumiram as partículas indiscriminadamente, sem seleção entre o que é alimento e o que é poluente

Raquel de Almeida Ferrando Neves

Após apenas uma hora de interação, foi constatado que cerca de 48% das microalgas e 52% das esferas plásticas permaneceram no tanque, demonstrando a falta de seletividade dos mexilhões.

Compreendendo os Microplásticos

Microplásticos são fragmentos de plásticos maiores que, com o tempo e exposição ao sol, se tornam micropartículas que contaminam a água, o solo e o ar. Esses fragmentos podem se originar de itens como embalagens, pneus e tintas, que liberam os microplásticos no meio ambiente. Recentemente, 93% de amostras de peixes do litoral paranaense apresentaram presença desses poluentes.

Consequências da Contaminação

A Organização Mundial da Saúde alerta para o impacto negativo dos microplásticos na saúde humana, pedindo mais pesquisas sobre seus efeitos.

A professora Raquel Neves destaca os riscos à saúde associados à ingestão de microplásticos, que podem acumular contaminantes químicos potencialmente prejudiciais. Ela observa que o nível de exposição varia conforme a dieta; o consumo frequente de mexilhões contaminados pode aumentar o risco de contaminação.

Um Problema Global

Embora o estudo tenha sido realizado em uma localidade específica, a pesquisa sugere que o padrão de confundir microplásticos com alimentos é comum para esta espécie de mexilhão em toda a costa brasileira. Assim, a problemática da poluição por plásticos se estende para outros ecossistemas.

Os pesquisadores apelam por medidas eficazes para mitigar a poluição na origem.

Os autores do estudo enfatizam a necessidade de políticas públicas que visem reduzir a despejo de resíduos no oceano e limitar o uso de plásticos descartáveis. Além disso, propõem um monitoramento rigoroso em áreas de maricultura para garantir a segurança na produção de frutos do mar.

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