Estudos revelam a influência dos genes e do estilo de vida na alta concentração de centenários, especialmente no Nordeste.

A proporção de brasileiros que alcançam os 100 anos de vida, especialmente no Nordeste, instiga a curiosidade de médicos e geneticistas. A explicação pode estar não apenas na genética, mas também no contexto social e no acesso à saúde.
O homem mais velho do mundo atualmente é o brasileiro João Marinho Neto, nascido em 1912 no Ceará, sendo reconhecido pelo Guinness World Records como o 9º homem mais longevo da história. O Brasil conta com 196 supercentenários, o segundo maior número das Américas, superando nações com população e IDH mais elevados.
✨ Embora a expectativa de vida no Brasil tenha aumentado em mais de três décadas desde 1940, ainda está abaixo dos 80 anos, contrastando com países como Canadá e Chile.
A concentração de centenários em áreas com menos infraestrutura de saúde e características socioeconômicas que geralmente levam a mortes precoces desafia as noções tradicionais sobre longevidade. Exemplificando, João Marinho Neto viveu no sertão e começou a trabalhar em fazendas desde os quatro anos.
A geneticista Mayana Zatz, diretora do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e Células-Tronco da USP, investiga esses casos em seu projeto DNA Longevo, que estuda os perfis genômicos de idosos brasileiros. Sua equipe recentemente coletou amostras do Espírito Santo para pesquisa.
Os estudos indicam que centenários possuem variantes genéticas que potencialmente os protegem de doenças relacionadas à idade. Zatz destaca a presença de células T citotóxicas, linfócitos raros encontrados em muitos dos idosos analisados, como uma indicação de que esses supercentenários adotam estratégias eficazes para combater infecções.
Além da genética, fatores como estilo de vida, cuidados de saúde e condições socioeconômicas são cruciais para a longevidade. Contribuições como exercício, alimentação saudável e estímulo intelectual são vitais.
A diversidade étnica do Brasil, formada por uma rica mistura de influências indígenas, africanas e europeias, pode também favorecer a longevidade, conforme indicado em estudos sobre a ancestralidade da população.
O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) revela disparidades na saúde e qualidade de vida de idosos com diferentes condições socioeconômicas. Idosos de baixa renda apresentam menos acesso a cuidados médicos e atividades saudáveis.
Valéria Lins, gerontóloga e fundadora do centro de referência em envelhecimento saudável Nandarê, afirma que a mudança na percepção da velhice é vital. "Viver com qualidade e autonomia é tão importante quanto o número de anos vividos", ressalta.
Médica geriatra Maísa Aguiar destaca que a longevidade é uma interação de fatores genéticos e sociais. Cada indivíduo e sua trajetória de vida são únicos, e não há uma única fórmula para alcançar os 100 anos.
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