Pesquisa revela novas possibilidades para rastreabilidade de produtos pesqueiros

Uma pesquisa inovadora realizada por cientistas da Embrapa, em colaboração com universidades, descobriu uma 'impressão digital química' que permite identificar a origem geográfica da tainha brasileira (Mugil liza) através de moléculas presentes em sua carne. Este avanço pode melhorar significativamente a rastreabilidade e a autenticidade dos produtos pesqueiros no Brasil.
O estudo foi liderado pelos pesquisadores Fabíola Fogaça e Luiz Colnago e seus resultados foram publicados na revista internacional Fishes. Utilizando a técnica de espectroscopia por Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio (^1H NMR), os cientistas mapearam a composição química das tainhas coletadas de três locais distintos: Lagoa de Araruama (RJ), Baía de Sepetiba (RJ) e litoral de Santa Catarina.
✨ A técnica permite a identificação de biomarcadores químicos que revelam a geografia da captura, proporcionando uma nova ferramenta para o setor pesqueiro.
Os pesquisadores analisaram amostras coletadas em diferentes períodos do ano e conseguiram detectar variações na composição do músculo do peixe, ligadas a fatores como salinidade e dieta. Essa descoberta reforça a importância da pesquisa para a segurança alimentar e para a cadeia produtiva de pescado.
"Esta pesquisa é um passo importante para a ciência de alimentos e a produção sustentável de pescado, destacando a possibilidade de rastrear a tainha por meio de uma assinatura metabólica única
Os resultados ainda mostraram que as condições extremas da Lagoa de Araruama impactam diretamente o metabolismo da tainha, evidenciando uma assinatura metabólica característica devido à alta salinidade da lagoa, que apresenta um nível médio de 52‰.
Esse estudo pode ajudar a combater fraudes no mercado pesqueiro, como a substituição de espécies e a falsificação da procedência dos peixes.
A pesquisa também sugere o potencial uso dos resultados como base para Indicação Geográfica da tainha da Lagoa de Araruama, visando proteger a origem e a identidade do produto.
Os pesquisadores integraram ferramentas de inteligência artificial na análise dos dados, mostrando como diferentes disciplinas científicas podem se unir para fortalecer a produção de conhecimento voltado à segurança alimentar.
Esse tipo de análise, que antecipa tendências e garante a qualidade do produto, poderia melhorar a fiscalizações e valorizar produtos regionais, ajudando o consumidor a optar por opções mais éticas e sustentáveis no mercado.
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