Desafios permanecem para universalização dos serviços essenciais

O setor de saneamento básico do Brasil continua a ver um aumento em investimentos, alcançando a marca de R$ 29,1 bilhões em 2024, segundo o Panorama da Universalização do Saneamento 2026, divulgado pela Abcon. Este é o terceiro ano consecutivo em que se registra um recorde no financiamento do setor, mas a universalização dos serviços ainda representa um desafio significativo.
Atualmente, apenas 780 dos 5.571 municípios brasileiros conseguiram atingir a meta de universalização do abastecimento de água. Em contraste, apenas 321 municípios têm a coleta e o tratamento de esgoto como um serviço universalizado. Enquanto isso, 3.625 municípios tratam das metas de abastecimento de água e 3.774 com as de esgotamento sanitário, com 1.107 e 1.431 municípios, respectivamente, sem dados suficientes para avaliação.
✨ O investimento de R$ 29,1 bilhões representa um aumento de 9% em relação ao ano anterior, refletindo um crescimento na participação do setor privado e a realização de leilões.
Entre 2020 e junho de 2026, 70 leilões foram realizados, resultando na captação de cerca de R$ 227 bilhões em investimentos. Esses projetos potencialmente beneficiaram aproximadamente 100 milhões de brasileiros em 2.480 municípios, enquanto outros 31 projetos, planejados para 636 municípios, devem envolver R$ 32 bilhões, atingindo cerca de 11,9 milhões de habitantes.
Apesar do aumento nos recursos investidos, a situação do tratamento de esgoto ainda deixa a desejar, com apenas 51,8% do esgoto gerado sendo tratado em 2024. O volume total tratado aumentou em 5% em um ano, equivalente ao volume de cerca de 1,9 milhão de piscinas olímpicas.
O incremento na oferta de água potável está atrelado também ao novo Marco Legal do Saneamento, que foi sancionado em 2020. Desde então, o número de residências com rede de abastecimento aumentou em 15%, passando de 52,8 milhões para 60,5 milhões de domicílios.
A lei do Marco Legal do Saneamento estabelece diretrizes para melhorar a infraestrutura de água e esgoto no país, visando quase 100% de cobertura até 2033, incentivando a participação privada para alcançar estas metas ambiciosas.
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