Comparação revela que país está atrás da UE e do Reino Unido na acessibilidade de dados.

Um recente estudo feito pelo NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, juntamente com o Minderoo Centre for Technology and Democracy, mostrou que o Brasil não oferece a mesma transparência para o monitoramento de anúncios nas redes sociais que a União Europeia e o Reino Unido. As implicações disso se tornam ainda mais pronunciadas em um ano de eleições.
O relatório intitulado “Data Not Found: Transparência de redes sociais para a integridade da informação” avaliou a acessibilidade de dados em 15 grandes plataformas digitais. Na investigação específica sobre publicidade, 14 foram analisadas, exceto o Bluesky, que não possui anúncios.
✨ A falta de acesso a dados sobre receitas, gastos e alvos de anúncios dificulta a análise da influência monetária no debate político.
No Brasil, tanto o Facebook quanto o Instagram foram classificados como tendo dados publicitários ‘insuficientes’. Nos outros dois territórios, a situação é um pouco melhor, sendo considerada ‘limitada’ na Europa e ‘significativa’ no Reino Unido. O TikTok apresenta acesso publicitário classificado como indisponível no Brasil, contrastando com a Europa e o Reino Unido, onde é considerado limitado.
A Biblioteca de Anúncios da Meta é uma das principais ferramentas disponíveis para monitorar gastos em conteúdo político no Brasil. Contudo, a Meta exige que anúncios sobre temas sociais e políticos sejam autorizados conforme a legislação. Outras plataformas, como Google e TikTok, adotam políticas diferentes, com Google proibindo anúncios políticos e TikTok não permitindo publicidade política paga.
"Segundo Débora Salles, do NetLab, a Meta acaba monopolizando a publicidade político-eleitoral nas redes sociais, dificultando o monitoramento em outras plataformas.
Além disso, a pesquisa mostra que mesmo a Meta está longe de ser a ideal em termos de transparência, com seus serviços recebendo uma classificação de ‘insuficiente’ no Brasil.
✨ A metodologia do estudo considera a qualidade, granularidade e acessibilidade dos dados para que haja verdadeira transparência.
Os responsáveis pelo estudo alertam que a falta de acesso a dados impede análises independentes sobre a circulação de desinformação e outros problemas relacionados aos anúncios políticos. Isso levanta questões sobre quem está realmente sendo capaz de monitorar e regular a publicidade política digital no Brasil.
As regras do TSE estabelecem que plataformas que oferecem impulsionamento devem manter repositórios com informações sobre anúncios, mas as exigências de transparência ainda são limitadas a conteúdos classificados como políticos.
A pesquisa conclui que a situação do Brasil em termos de transparência em publicidade digital é preocupante. A discrepância nas políticas e na entrega de dados entre os diferentes países sugere que as empresas poderiam oferecer um nível mais alto de transparência, mas acabam não o fazendo de maneira equitativa.
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