Desemprego juvenil cresce globalmente com avanço da IA
Movimentos contra o desemprego juvenil se intensificam em vários países

A dificuldade de jovens para conseguir um emprego não é um problema isolado, mas sim um fenômeno que afeta vários países, com manifestações ocorrendo em locais como Quênia, Peru e Filipinas nos últimos anos. Este ano, a preocupação com a inserção juvenil no mercado de trabalho gerou protestos na África do Sul e no Marrocos.
Na Índia, essa insatisfação impulsionou o surgimento do Partido Cockroach Janta, que se originou como uma sátira nas redes sociais, mas rapidamente ganhou notoriedade nacional.
Um olhar sobre o desemprego juvenil
Os índices de desemprego juvenil, que medem jovens entre 15 e 24 anos que buscam trabalho sem sucesso, geralmente são mais altos do que a média geral de desemprego. A China, em particular, ilustra bem essa situação, evidenciada pelo crescimento acelerado do número de graduados em comparação à criação de empregos, resultando em um cenário de desânimo e subemprego.
✨ Em maio, a taxa oficial de desemprego juvenil na China chegou a 15,6%, muito acima dos 5% da taxa geral.
No Brasil, a realidade é semelhante. O Ministério do Trabalho relata que a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos é de 13,8%, enquanto a média nacional é de 5,8%. Além disso, cerca de 20% dos jovens entre 14 e 24 anos estão fora do ensino e do mercado de trabalho.
Inteligência Artificial e seus impactos
A inteligência artificial é frequentemente citada como um dos fatores que dificultam a inserção dos jovens no mercado de trabalho. Embora não haja consenso entre os especialistas, muitos acreditam que a tecnologia está relegando vagas de entrada aos profissionais menos qualificados.
Um estudo do Professor Golo Henseke afirma que a diminuição de novas oportunidades de emprego para graduados no Reino Unido coincide com o aumento da adoção da IA, levando a uma desaceleração na contratação de jovens.
Sara Elder, da OIT, reforça que, embora a IA possa ser um fator que contribui, a deterioração do mercado de trabalho para os jovens está principalmente ligada à falta de dinamismo das economias e ao aumento das exigências por parte dos empregadores.
Os setores mais impactados
De acordo com a OIT, entre 2023 e 2025, as taxas de desemprego juvenil se elevaram em oito das 11 regiões globais, incluindo a América do Norte e o Sudeste Asiático. Os setores mais afetados incluem manufatura e serviços.
Enquanto isso, as áreas que exigem alta qualificação, como ciência e tecnologia, continuam a apresentar crescimento.
Necessidade de ação
O ambiente econômico em desaceleração e as novas exigências de empregos dificultam a inserção dos jovens no mercado de trabalho. Uma pesquisa da consultoria EY mostrou que os estudantes estão menos otimistas quanto à contratação pós-graduação do que há dois anos.
A OIT defende a necessidade de investimentos robustos para criar empregos de qualidade e facilitar a transição dos jovens ao mercado de trabalho.
✨ Um crescimento econômico mais forte é fundamental para mitigar a crise do desemprego juvenil.
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