Apesar do investimento elevado, volume importado é o mais baixo desde 2019

A Argentina investiu impressionantes US$ 1,762 bilhão na importação de fertilizantes entre janeiro e junho de 2026, atingindo o segundo maior montante para o período. Entretanto, o volume efetivamente importado foi alarmantemente baixo, o segundo menor registrado desde 2019.
Os preços internacionais elevados estão no cerne da discrepância entre os valores gastos e as quantidades compradas, conforme aponta um relatório da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR). Neste primeiro semestre, o país adquiriu 437 mil toneladas de fertilizantes nitrogenados, 767 mil toneladas de fosfatados e 39 mil toneladas de potássicos.
✨ A ureia sofreu a maior redução em seu volume importado, enquanto as compras de fosfatados mantiveram-se quase estáveis em relação ao ano anterior.
A análise da BCR indica que a Argentina pode ter arcado com um sobreecusto estimado em US$ 180 milhões neste semestre, caso os preços médios de 2025 tivessem sido mantidos.
Conforme o relatório, o impacto dos conflitos no Oriente Médio também foi significativo, com a interrupção do Estreito de Ormuz afetando a oferta e os preços dos fertilizantes. Aproximadamente 20% do comércio global de gás natural e 25% do de ureia dependem dessa via, e a alta dos custos de gás natural, vital para a produção de ureia, contribuiu para a elevação dos preços.
Além disso, decisões de grandes nações produtoras, como a Índia e China, que reduziram temporariamente sua produção e exportação de ureia, acentuaram ainda mais a escassez no mercado.
O relatório também destacou uma queda nas importações. Em junho, as compras de fertilizantes nitrogenados atingiram o menor volume em oito anos e estavam 60% abaixo da média dos últimos cinco anos. Já o volume de fosfatados foi o mais baixo desde 2018.
Para o segundo semestre, a prática dos desembolsos será especialmente influenciada pela evolução dos conflitos no Oriente Médio, dado que a Argentina precisa importar cerca de 50% de seus nitrogenados e 80% de seus fosfatados.
Por fim, o relatório da BCR menciona um projeto significativo para a produção de ureia em Bahía Blanca, com um investimento previsto de US$ 2,7 bilhões, que poderá aumentar a oferta interna e reduzir a necessidade de importação.
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