Decisão afeta exportações e reflete sobre a saúde pública

A União Europeia (UE) decidiu excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina, destacando preocupações sobre o uso inadequado de antimicrobianos na criação de animais. Essa decisão entra em vigor em 3 de setembro e ressalta a importância de monitorar o uso dessas substâncias para garantir a segurança alimentar e a saúde pública.
Uma das principais razões para a exclusão foi a falta de comprovação por parte do Brasil sobre o controle do uso de antimicrobianos, que são utilizados na pecuária para tratar doenças, prevenir infecções e até para promover crescimento. Embora não tenham sido encontradas irregularidades nos produtos brasileiros, o país não apresentou a documentação solicitada no prazo determinado.
✨ Decisão da UE surge após acordo de livre comércio com o Mercosul.
A medida foi interpretada por representantes do agronegócio brasileiro como um ato de protecionismo, coincidindo com a implementação de um tratado de livre comércio entre a UE e o Mercosul, que enfrenta resistência de produtores europeus preocupados com a concorrência de preços dos produtos sul-americanos, especialmente do Brasil.
Desde a década de 1990, a UE tem intensificado suas regras sobre o uso de antimicrobianos na agricultura, culminando em proibições rigorosas, como a de 2006 que impediu o uso de antibióticos como promotores de crescimento. A UE exige que os países exportadores não utilizem tais substâncias se elas também tiverem aplicação na medicina humana, visando evitar o surgimento de bactérias resistentes.
✨ A resistência a antibióticos é uma das maiores ameaças à saúde humana.
Em 2022, a resistência aos antimicrobianos (RAM) foi classificada pela UE como uma das principais ameaças à saúde pública. O movimento faz parte da campanha One Health, que promove a interconexão entre saúde humana, animal e ambiental.
Embora a decisão não esteja ligada a uma substância específica, o uso da monensina, um aditivo alimentar que melhora a digestão dos bovinos e pode contribuir para o aumento de peso, chamou atenção. Mesmo que não conste da lista de antimicrobianos reservados para uso humano na UE, seu uso no Brasil pode ser questionado sob as novas regras.
Além disso, algumas substâncias como avoparcina e virginiamicina foram proibidas pela UE por causa de suas semelhanças com antibióticos utilizados em medicina humana, reforçando a urgência de que o Brasil se adapte a essas exigências para manter suas exportações.
Profissionais de saúde advertiram que o uso inadequado de antimicrobianos em animais não apenas afeta a segurança alimentar, mas também pode resultar em infecções humanas mais difíceis de tratar, devido ao surgimento de bactérias resistentes. Essas bactérias podem se espalhar pelo contato direto com os animais, pelo meio ambiente e através da cadeia alimentar.
"A expansão de bactérias resistentes representa um risco crescente à saúde pública, exigindo um monitoramento e controle rigorosos.
Com a nova postura da UE, o Brasil precisa urgentemente demonstrar um comprometimento eficaz na fiscalização do uso de antimicrobianos na pecuária para retomar suas exportações e garantir a segurança de sua cadeia alimentar.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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