Problemas de qualidade impactam safra 2026/27 e preocupam produtores.

O excesso de chuvas durante a colheita de trigo no Sul do Brasil está comprometendo a qualidade dos grãos e dificultando a comercialização da safra 2026/27. O cenário é mais crítico no Paraná e no Rio Grande do Sul, onde parte do cereal colhido apresenta condições inferiores às desejadas pelo mercado.
De acordo com a análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), a qualidade do trigo será um fator decisivo para o comportamento dos preços e das negociações nesta temporada. A oferta limitada de produto adequado à moagem e a concorrência do trigo argentino tornam a situação ainda mais desafiadora para os produtores.
No Paraná, até o dia 12 de outubro, a colheita havia alcançado 75% da área cultivada. Apesar do avanço, as chuvas causaram perdas significativas especialmente na qualidade do trigo. A situação é preocupante em um momento em que a nova produção entra no mercado. No Rio Grande do Sul, a colheita estava em 28% da área, também com problemas de qualidade.
✨ A média semanal recebida pelos produtores do Rio Grande do Sul foi de R$ 74,15 por saca de 60 quilos, enquanto no Paraná os preços variaram entre R$ 79 e R$ 80.
As negociações mostram diferenças significativas entre o trigo da safra anterior e o recém-colhido. O trigo da safra passada era comercializado a cerca de R$ 1.600 por tonelada FOB, enquanto a safra nova registrava preços em torno de R$ 1.400 por tonelada. O trigo de menor qualidade estava sendo negociado próximo de R$ 1.100 por tonelada no porto.
A concorrência do trigo argentino representa um desafio adicional para a valorização do trigo brasileiro. Informações da TF Agroeconômica indicam que o trigo importado da Argentina estava sendo cotado em US$ 305 por tonelada em Rio Grande e US$ 310 em Canoas.
Em Santa Catarina, as preocupações vão além da qualidade, já que a área plantada com trigo na safra 2026/27 deve reduzir cerca de 35%. A produção está estimada em 243 mil toneladas, uma queda de 37% em relação ao ano anterior. Esta redução na disponibilidade de trigo adequado já está impactando os moinhos locais.
Com a colheita em andamento no Sul do Brasil, a preocupação com a disponibilidade de trigo tipo 1 é crescente. A soma de problemas de qualidade, redução na produção em algumas áreas e a concorrência externa deve influenciar as negociações ao longo da safra 2026/27.
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