Crescimento no consumo de produtos proteicos impulsiona investimento na indústria de whey.

A transformação na indústria de lácteos no Brasil está sendo impulsionada pela mudança nos hábitos dos consumidores, que cada vez mais buscam produtos com alto teor de proteínas. O soro, tradicionalmente um subproduto da queijaria, agora é visto como um ativo valioso para a produção de whey protein.
Embora o Brasil tenha uma grande produção de leite, ainda depende em larga medida da importação de ingredientes lácteos derivados do soro, como o Whey Protein Concentrado (WPC) e o Whey Protein Isolado (WPI). Especialistas afirmam que essa realidade pode mudar com novos investimentos na produção.
✨ Os preços internacionais de ingredientes proteicos dispararam: o WPC80, por exemplo, aumentou de US$ 10 mil para US$ 28 mil a tonelada em apenas um ano.
A evolução na demanda por alimentos mais saudáveis, acentuada pela pandemia e o surgimento de medicamentos que ajudam no controle do apetite, fez com que a indústria de lácteos se esforçasse para aumentar a produção. Segundo Juliana Torres Santiago, analista da StoneX, a oferta não tem conseguido acompanhar a demanda crescente.
Os custos dos ingredientes também subiram significativamente. O WPC80 importado chega ao Brasil a cerca de R$ 160 mil a tonelada, sendo que 70% do que é consumido no país vem do exterior. Apesar do Brasil produzir mais de 35 bilhões de litros de leite por ano, a capacidade de processar o soro de leite ainda é limitada.
Empresas como a Tirolez, que está ampliando seu investimento no setor, e a Sooro Renner, que planeja dobrar sua capacidade de produção, são exemplos de como o mercado se adapta. O aumento no custo da matéria-prima e a crescente busca por proteínas de qualidade, além de novas unidades fabris, indicam que o Brasil pode se tornar mais autossuficiente na produção de ingestíveis proteicos.
A Lactalis, que opera de forma integrada no setor, acredita que o mercado de proteínas no Brasil ainda tem grande potencial de crescimento, dado seu consumo per capita em comparação a países mais desenvolvidos. Por fim, o mercado de bebidas proteicas, embora ainda pequeno, tem mostrado crescimento sustentado.
O Grupo Piracanjuba também investiu na construção de uma nova unidade industrial, que deverá integrar a produção de queijo e whey protein, com expectativas de alta produção anual. Essa inserção de tecnologias e crescimento no setor revela uma nova era para o mercado de lácteos no Brasil.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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