Medida pode resultar em perda de US$ 30 milhões nas exportações do Nordeste, segundo Renato Cunha, presidente da Novabio.

O governo Trump anunciou a redução da cota de importação de açúcar do Brasil para o ano fiscal de 2027 em 55 mil toneladas, o que pode gerar um impacto de US$ 30 milhões nas exportações do Nordeste, segundo Renato Cunha, presidente da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (Novabio) e do Sindaçúcar-PE.
Cunha afirmou que, embora esforços sejam feitos para redirecionar as exportações, o preço pago em outros mercados não será o mesmo. Segundo ele, a redução representa uma 'ruptura intempestiva', caracterizada pela supressão de parte da cota homologada na OMC, e não por questões tarifárias.
✨ Desde 2014, os EUA tinham uma cota de ao menos 150 mil toneladas para o açúcar brasileiro, elevando este volume em diversas ocasiões devido a quebras nas safras em outros países.
As safras 2023/24 e 2024/25 viram importações superiores a 200 mil toneladas de açúcar do Brasil. A nova regra para 2026/27, segundo Cunha, quebra o planejamento estratégico das usinas do Nordeste, que já projetavam suas receitas com base nas vendas para os Estados Unidos.
A medida atinge toda a cadeia sucroalcooleira do Nordeste, afetando cerca de 20 mil fornecedores de cana-de-açúcar, muitos deles pequenos produtores, e cerca de 270 mil trabalhadores do setor.
Uma alternativa para os produtores pode ser o mercado da União Europeia, que abriu uma cota de 180 mil toneladas de importação de açúcar por meio de acordo com o Mercosul, em vigor desde maio. A remuneração no mercado europeu é esperada como mais vantajosa do que no mercado global.
Cunha indicou que as exportações para a UE devem iniciar em breve, com as safras das usinas do Nordeste começando entre agosto e setembro.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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