Indústria de carne solicita banimento de antimicrobianos ao ministério
Medida busca atender exigências da União Europeia sobre exportações

A indústria de carnes do Brasil fez um pedido ao Ministério da Agricultura para a ampliação das proibições de antimicrobianos no país. Essa solicitação, encaminhada por ofícios na última quinta-feira (11/6), surge em resposta à decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países habilitados para exportar proteínas animais e seus derivados a partir de setembro.
Com essa medida, o setor pretende mostrar um compromisso maior com a não utilização de substâncias químicas nas cadeias produtivas, especialmente visando a atenção europeia. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) solicitou que se ampliasse a proibição do uso de enramicina, avilamicina e flavomicina na avicultura, uma extensão da norma já implementada em maio que abrange derivados do ácido fosfônico, como a fosfomicina.
✨ A ABPA e a Abiec pedem que, na carne bovina, as restrições sejam expandidas para incluir monensina sódica, salinomicina, lasalocida e narasina.
Em abril, o ministério já havia publicado uma portaria restringindo a importação, fabricação, comercialização e uso de aditivos de desempenho, como avoparcina, bacitracina e virginiamicina. Apesar das tentativas de contato, o Ministério da Agricultura não prestou esclarecimentos sobre o pedido.
Fortalecimento do Posicionamento Regulatório
As associações enfatizam que a solicitação é parte das conversas com a União Europeia acerca dos requisitos para a utilização de antimicrobianos na produção animal, com validade a partir de 3 de setembro. Em seus ofícios, destacam que apesar da decisão da UE estar ligada à fiscalização e controle do uso de medicamentos nos animais para exportação, a ampliação das proibições pode reforçar o posicionamento regulatório do Brasil e demonstrar o compromisso do país com práticas de uso responsável de antimicrobianos.
Em nota, a ABPA e a Abiec confirmaram o envio dos ofícios, ressaltando que a iniciativa visa a harmonização das regulamentações brasileiras com padrões internacionais e fortalecer o país nas discussões com parceiros comerciais, especialmente em relação à União Europeia.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) foi consultada, mas até o momento não respondeu.
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