Práticas culturais e monitoramento são essenciais para preservar a eficácia dos tratamentos.

O uso repetitivo de fungicidas com o mesmo modo de ação pode aumentar o risco de seleção de populações de fungos resistentes no algodoeiro. Em sistemas intensivos, com grandes áreas e alta pressão de inóculo, o manejo deve incluir não apenas a aplicação de produtos, mas também práticas culturais, monitoramento da lavoura e planejamento ao longo do ano agrícola.
A resistência ocorre quando indivíduos naturalmente menos sensíveis a um fungicida sobrevivem e se tornam predominantes. Essa situação pode ser agravada pela repetição de fungicidas com o mesmo mecanismo de ação, pelo uso de doses inadequadas e pela alta frequência de aplicações. Grupos como triazóis, estrobilurinas e carboxamidas, frequentemente utilizados, apresentam alto risco de resistência quando empregados sem a devida rotação.
Entre as doenças que podem afetar o algodoeiro estão manchas foliares e podridões, algumas das quais já apresentam resistência em determinadas regiões, aumentando a preocupação com fungicidas de sítio específico. O longo ciclo do algodão, que exige várias aplicações, e a dependência do controle químico em áreas com alta pressão de doenças são fatores que contribuem para esse desafio.
✨ Alternar fungicidas e integrar práticas culturais é fundamental para prevenir a resistência em fungos no cultivo de algodão.
Uma das principais estratégias para evitar a resistência é alternar entre fungicidas de diferentes grupos e modos de ação, evitando sequências prolongadas de produtos semelhantes. Misturas comerciais devidamente registradas também podem ser utilizadas, respeitando as recomendações de uso na cultura.
O planejamento das aplicações deve levar em conta não apenas o calendário, mas também o acompanhamento das condições da lavoura e o histórico da área, permitindo decisões mais informadas quanto à necessidade de intervenções. Práticas culturais, como rotação de culturas e destruição de restos, ajudam a reduzir a dependência dos fungicidas.
Além disso, manter monitoramento frequente de sintomas e condições ambientais é crucial. Aplicações de fungicidas devem ser feitas com base em necessidades reais, considerando o histórico das doenças e as condições climáticas. Em fases críticas como a reprodutiva, mais atenção deve ser dada ao monitoramento para ajustar o uso dos produtos.
O respeito ao histórico da área e a avaliação visual das folhas e estruturas reprodutivas são fundamentais para um manejo eficaz. A qualidade da aplicação, incluindo calibragem adequada dos equipamentos e condições propícias, também interfere na eficiência do controle e na seleção de fungos.
Fungicidas devem ser usados conforme as recomendações de registro e com atenção às doses e intervalos previstos na bula. O manejo da resistência envolve a adoção de uma combinação de estratégias, como a escolha de sementes sadias, adubação equilibrada e controle de plantas daninhas.
A redução do risco de resistência não se limita ao uso de fungicidas, mas deve integrar todas as práticas de manejo ao longo do ciclo da cultura, assegurando a eficácia a longo prazo.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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