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Agronegócio
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Proliferação de javalis ameaça agronegócio em Santa Catarina

Espécie invasora causa danos significativos e riscos à saúde pública

Gabriel Rodrigues15 de julho de 2026 às 16:10
Proliferação de javalis ameaça agronegócio em Santa Catarina

A presença crescente dos javalis se tornou uma das principais preocupações do agronegócio em Santa Catarina, gerando sérios impactos econômicos e riscos à saúde pública. Estima-se que mais de 200 mil javalis estejam distribuídos por 236 municípios, representando 80% do estado.

Com machos podendo pesar até 200 quilos, esses animais não apenas devastam propriedades rurais, mas também ameaçam a fauna local e a segurança dos trabalhadores.

Registros de ataques a pessoas e o risco de agressões a cães durante os esforços de controle são frequentes. Na busca por alimentos, bandos de até 50 javalis invadem áreas urbanas e rodovias, causando danos consideráveis a lavouras de milho, feijão, soja e outros produtos.

Outro fator que agrava a situação é a capacidade reprodutiva dessas espécies: as fêmeas podem gerar duas ninhadas de cerca de oito filhotes em um ano. Sem predadores naturais, os javalis estão se cruzando com porcos domésticos, formando híbridos que dificultam qualquer tentativa de controle.

Riscos Sanitários e Normativas de Controle

A presença dos javalis também representa um risco sanitário significativo, pois eles podem transmitir doenças como peste suína africana e febre aftosa. Esses problemas são particularmente graves para Santa Catarina, que é uma líder na produção de carne suína e tem um status reconhecido internacionalmente como área livre de febre aftosa com vacinação.

Apesar das tentativas de manejo que resultaram na captura de mais de 120 mil javalis entre 2019 e 2024, a população continua alarmantemente alta. O manejo correto exige profissionais capacitados, e a falta deles, juntamente com a burocracia, tem dificultado a ação dos produtores rurais.

Recentemente, a sanção da Lei nº 18.817/2023 pelo governador Jorginho Mello possibilitou o controle e manejo sustentável da espécie, mas a verdadeira eficácia depende da Câmara dos Deputados estabelecer normas que reconheçam a gravidade do problema.

A Faesc alerta para a necessidade de desburocratização das operações de manejo e da colaboração entre os setores público e privado para enfrentar essa crise.

Assim, não se trata apenas de uma questão do agronegócio, mas de assegurar vidas, patrimônio, biodiversidade e a estabilização da economia local. O tempo é essencial, e decisões rápidas são necessárias para conter essa ameaça crescente.

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