Pecuaristas optam por manter fêmeas para reprodução, afetando a oferta no mercado.

Após um primeiro semestre marcado pelo crescimento nos abates de gado bovino, começamos a observar sinais de redução na oferta de animais. Pecuaristas estão optando por manter mais fêmeas nas propriedades para reprodução, devido aos preços elevados dos bezerros e outros animais jovens, resultando em menos matrizes enviadas para o abate.
Essa nova dinâmica, associada à prevista demanda adicional dos Estados Unidos por carne e ao retorno das compras da China, abre caminho para uma potencial valorização do boi gordo e da carne, conforme análises do mercado. Os contratos futuros do boi gordo na B3 já começam a refletir essas expectativas.
✨ Na sexta-feira (11), os contratos futuros do boi gordo estavam cotados a R$ 358,55 por arroba, com previsões de alta a partir de agora.
A participação das fêmeas no total de animais abatidos no Brasil diminuiu de 44,7% em fevereiro para 32,1% em agosto. Esse movimento é acompanhado por informações de que em julho o abate de bovinos caiu 22%, enquanto o de fêmeas diminuiu ainda mais, 32%, conforme dados da Safras & Mercado.
Conforme Júlio Barcellos, coordenador do Nespro da UFRGS, essa tendência deve se intensificar até o final do ano, o que poderá resultar em menor oferta de carne e frigoríficos buscando atender às demandas internacional.
Recentemente, o governo dos EUA anunciou um aumento na importação de carne bovina sem tarifa, permitindo que o Brasil venda até 50 mil toneladas por mês. Paralelamente, espera-se que frigoríficos brasileiros retornem a produzir carne para a China no último trimestre de 2026.
Enquanto isso, as cotações do boi gordo nas principais praças do Brasil têm se mantido estáveis, com preços sustentados pela oferta controlada. A arroba do boi gordo em Araçatuba (SP) estava a R$ 345 na sexta-feira (11), mantendo o mesmo valor desde o início de setembro.
Embora haja uma previsão de alta nos preços da carne bovina devido à redução na oferta, analistas como Alcides Torres e Fernando Iglesias ressaltam que o consumo tem um limite, e um aumento excessivo nos preços pode levar os consumidores a optar por carnes alternativas como a de frango.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Jornalista especializado em Agronegócio

Contratos futuros de janeiro de 2027 já precificam arroba em R$ 381, impulsionados por vendas para os EUA e nova cota chinesa.

Movimentação no mercado é impulsionada por melhoria na liquidez e variações regionais.

Análise aponta vantagem brasileira na nova demanda por carne magra e trimmings.

Condição corporal satisfatória em todas as categorias do rebanho ovino