A falta de manejo adequado pode comprometer a produtividade e aumentar os custos na cultura.

A resistência de pragas e plantas daninhas a produtos utilizados no manejo da cana-de-açúcar representa um risco crescente para a produtividade e os custos de produção. O uso frequente de herbicidas e inseticidas sem a necessária alternância e monitoramento propicia a sobrevivência de organismos resistentes, comprometendo o controle nas lavouras.
Esse problema evolui ao longo dos ciclos de cultivo e se intensifica com a repetição das mesmas estratégias de controle. O resultado é o aumento das infestações e a necessidade de intervenções mais frequentes, além da possibilidade de reduzir tanto o rendimento quanto a durabilidade do canavial.
✨ Organismos resistentes se reproduzem, aumentando sua presença na população e, consequentemente, dificultando o manejo.
O fenômeno da resistência ocorre quando alguns indivíduos de uma população conseguem sobreviver a doses de produtos que normalmente eliminariam os organismos suscetíveis. A aplicação repetida de um mesmo mecanismo de ação resulta em uma seleção natural, favorecendo a reprodução de indivíduos resistentes.
As plantas daninhas resistentes no Brasil incluem o capim-amargoso, a buva e o amendoim-bravo, afetando diversas culturas, incluindo a cana-de-açúcar. No caso das pragas, o uso reiterado de inseticidas de um mesmo grupo químico potencializa o surgimento de populações resistentes, como as cigarrinhas e brocas.
A pressão das pragas e plantas daninhas varia conforme o clima e o sistema de produção. Durante períodos chuvosos, o crescimento das daninhas é favorecido, enquanto em climas secos, algumas pragas se tornam mais prevalentes.
Identificar a causa de falhas no controle é crucial. Sinais de resistência incluem a presença de indivíduos que sobrevivem a intervenções que antes eram eficazes. Problemas podem ser relacionados a dosagens inadequadas, condições climáticas, ou estágio de desenvolvimento dos organismos. Portanto, um monitoramento sistemático das infestações em diferentes talhões é vital.
Avaliações detalhadas, incluindo inspeções visuais e contagem de insetos, permitem um direcionamento mais eficiente nas intervenções necessárias. O controle deve ser baseado em níveis de infestação acessíveis e não apenas em cronogramas fixos de aplicação.
É essencial alternar mecanismos de ação e garantir que produtos diferentes atuem sob princípios distintos. Além de medidas químicas, a integração de práticas culturais e biológicas, como manejo de palhada e o emprego de agentes biológicos, é necessária para prevenir a resistência.
A competição com plantas daninhas não controladas e os danos provocados por pragas podem reduzir significativamente o rendimento da cana-de-açúcar, levando potencialmente à reforma antecipada das áreas afetadas.
O planejamento do manejo deve ser abrangente, incluindo o registro de todos os produtos aplicados, o acompanhamento das infestações e a consideração de recomendações técnicas. A prevenção da resistência e a preservação da eficiência das técnicas de manejo são fundamentais para evitar perdas significativas na produção de cana-de-açúcar.
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