Fatores climáticos e conflitos geopolíticos impulsionam preços

O preço da soja na Bolsa de Chicago subiu para US$ 12,37 por bushel na semana entre 17 e 23 de julho, representando o maior patamar desde o final de maio. O aumento é reflexo de clima seco nos EUA, conflitos entre Rússia e Ucrânia e agitações no Oriente Médio que impactaram o preço do petróleo.
De acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), há três principais fatores que explicam essa elevação. O primeiro é a preocupação com a secura do clima nos Estados Unidos, que pode comprometer a colheita. O segundo é a guerra na Europa, que elevou os preços do trigo, também influenciando o mercado da soja. Por último, a tensão entre Irã e Estados Unidos acarretou um aumento sustentado nos preços do petróleo, que, por sua vez, impulsionou o custo do óleo de soja.
✨ O barril de petróleo Brent subiu 19,4% em 22 dias, impactando diretamente os preços da soja.
Segundo dados do USDA, até 19 de julho, apenas 8% das lavouras de soja estavam em condição ruim, enquanto 66% estavam em boa ou ótima condição.
No Brasil, a elevação do preço da soja também foi observada. No Rio Grande do Sul, a saca de soja atingiu R$ 125,00, com valores variando entre R$ 116,00 e R$ 127,00 em outras regiões. No porto de Rio Grande, o preço já ultrapassou R$ 150,00 por saca.
Apesar do cenário positivo, um alerta foi emitido durante um congresso em Porto Alegre. Pesquisadores chineses informaram sobre planos de reduzir as importações de soja, visando um corte de 25% até 2030 e de 50% até 2050. Se concretizada, essa estratégia poderá reformular o mercado global de soja, impactando produtores brasileiros.
✨ As compras da China de soja americana caíram 20,6% em junho, enquanto as do Brasil aumentaram 13,7%, atingindo um recorde histórico.
Entre janeiro e junho, as importações de soja americana pela China caíram 42,4%, enquanto as do Brasil aumentaram em 9,1%. Apesar dos custose elevados da soja dos EUA, a China optou por adquirir 427 navios da soja americana, em comparação a apenas 47 do Brasil.
Os analistas projetam que a soja brasileira continuará sendo mais acessível que a americana, o que deve beneficiar as exportações do Brasil. A expectativa é que o país exporte 113 milhões de toneladas em 2026, sendo 86 milhões para a China.
Diante dos preços elevados, a CEEMA recomenda que os produtores aproveitem a oportunidade para comercializar parte de sua safra antes que a colheita nos Estados Unidos comece em outubro, data em que os preços tendem a recuar caso não haja problemas climáticos.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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