Em 7 de setembro, Miguel Daoud analisa os desafios que o país enfrenta na busca por soberania plena.

Neste 7 de Setembro, 204 anos após o grito de 1822, cabe uma pergunta: de que o Brasil é realmente independente? Rompemos com Portugal e construímos nosso Estado. Mas a soberania não é só bandeira, hino, moeda e fronteiras. É decidir o próprio futuro, e aí nossa independência permanece incompleta.
O Brasil é rico em território, água, energia, biodiversidade, alimentos e minerais, mas não transformou tudo isso em prosperidade. O agronegócio tropical provou, com pesquisa e empreendedorismo, que era possível produzir onde muitos diziam que não. Ainda assim, exportamos riqueza bruta e importamos tecnologia e conhecimento. Produzimos muito e agregamos pouco.
✨ Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que a produtividade brasileira pouco avança desde o fim da década de 1970.
Até o agro tem sua dependência: somos uma potência agrícola, mas entre 85% e 90% dos fertilizantes vêm do exterior, segundo o Ministério da Agricultura. Crises externas atingem o custo da comida e a rentabilidade do produtor. Da porteira para dentro, o produtor está entre os mais eficientes do mundo. Do lado de fora, enfrenta logística deficiente, insegurança jurídica e crédito caro.
Parte da competitividade conquistada no campo se perde antes de chegar ao mercado. O limite do agronegócio não está na sua capacidade de produzir, mas nas estruturas que o cercam.
No PISA 2022, apenas 27% dos estudantes brasileiros de 15 anos alcançaram o nível básico em matemática. Sem aprendizagem, faltam profissionais para uma indústria moderna e uma economia digital. O país que não forma capital humano importa tecnologia, perde empregos qualificados e amplia sua dependência.
O sistema político brasileiro gasta tempo demais administrando crises que ele próprio produz. O recente conflito no Supremo Tribunal Federal (STF) retrata essa inversão. Quando quem deveria oferecer segurança jurídica produz incerteza, todos pagam a conta.
O Brasil precisa parar de confundir medida emergencial com projeto nacional. A nova independência exige educação, infraestrutura, ciência, tecnologia, produtividade, menor dependência de insumos estratégicos, equilíbrio fiscal, segurança jurídica e instituições que respeitem seus limites.
A independência não é apenas um feriado. É uma tarefa.
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Jornalista especializado em Brasil

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