Crescimento do endividamento entre trabalhadores de aplicativos reflete a atual situação econômica do país.

Em Buenos Aires, muitos entregadores enfrentam dificuldades financeiras significativas quando suas motos são apreendidas pelas autoridades de trânsito. O custo para recuperar os veículos pode ultrapassar 140 mil pesos argentinos, cerca de US$ 90, o que representa aproximadamente dois dias de trabalho para esses profissionais.
Albert Quintero, um entregador de 41 anos, afirma que muitos trabalhadores não têm como arcar com essas multas e taxam, recorrendo a empréstimos caros oferecidos por aplicativos e fintechs. As taxas de juros anuais, que ultrapassam 100%, tornam esses empréstimos ainda mais problemáticos. A realidade é que, com a crescente dívida, muitos se veem amarrados a um ciclo de endividamento.
✨ Cerca de 6 milhões de argentinos estão atrasados em pagamentos, com 12,8% dos empréstimos a famílias em atraso, o maior índice em mais de uma década.
A situação de endividamento se agrava frente à inflação crescente e preocupações com o emprego. O presidente Javier Milei, ao assumir em 2023, viu a taxa de inadimplência saltar de 2,8% para 12,8%. Com o crédito privado representando 12% do PIB argentino, muito abaixo do que acontece em outros países da região, o governo resiste a projetos para aliviar a situação financeira das famílias, considerando que as dívidas são um assunto entre credores e devedores.
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Jornalista especializado em Brasil

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