Iniciativa lançada no 15º Congresso Brasileiro do Algodão busca conscientizar sobre os riscos das fibras sintéticas.

A presença de microplásticos, provenientes de materiais como poliéster e nylon, no ambiente e no organismo humano, está gerando um crescente debate sobre seus impactos. Partículas liberadas por tecidos sintéticos durante o desgaste e as lavagens podem contaminar a água e afetar ecossistemas.
Esse assunto foi destacado no 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), em Belo Horizonte (MG), ocasião em que foi lançado o movimento Microplástico é o Fim da Linha. A proposta busca aumentar a conscientização sobre microplásticos, fomentar pesquisas e estimular escolhas mais conscientes na indústria e entre consumidores.
✨ O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, alerta que os microplásticos são atualmente os principais agentes de contaminação ambiental e saltam à vista como uma questão de saúde pública.
Portocarrero enfatiza a importância de tratar essa questão como um alerta ambiental, ressaltando que as roupas sintéticas são grandes responsáveis pela liberação de microplásticos. Ele menciona que, enquanto milhares de pessoas lavam suas roupas ao mesmo tempo, isso representa uma 'injeção na veia da natureza', pois os resíduos acabam indo para os rios, mares e solo, reintegrando-se posteriormente à cadeia alimentar.
A ciência já identificou a presença de microplásticos em diferentes partes do corpo humano, incluindo estudos que revelaram fibras no cérebro de indivíduos, e a pesquisa ainda investiga os efeitos da exposição a essas substâncias.
O movimento propõe uma maior valorização das fibras naturais, como algodão e linho, que apresentam um comportamento menos nocivo no ambiente e possibilitam a economia circular. Portocarrero observa que, ao contrário das fibras sintéticas, as partículas que podem ser liberadas por produtos naturais se integram mais facilmente ao meio ambiente.
A iniciativa Microplástico é o Fim da Linha não sugere a retirada total das fibras sintéticas, mas busca informar e promover a transparência para que o consumidor possa escolher entre fibras naturais e sintéticas adequadas.
Portocarrero acrescenta que a proposta inclui a criação de uma taxa sobre produtos sintéticos para financiar ciência e conscientização, reforçando a intenção de combater as ameaças representadas pelos microplásticos.
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Jornalista especializado em Brasil

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