Aumento no custo de vida e educação financeira impulsionam crescimento

O número de investidores com 60 anos ou mais na B3, a bolsa de valores do Brasil, disparou nos últimos anos, aumentando 358% desde 2016. Atualmente, cerca de 595 mil pessoas dessa faixa etária participam do mercado financeiro, representando 10,4% dos 5,6 milhões de acionistas que a B3 possui.
Esse crescimento é impulsionado por uma combinação de maiores níveis de educação financeira e a escalada do custo de vida, especialmente em relação à saúde. A superintendente de negócios da B3, Christianne Bariquelli, observa que havia cerca de 130 mil acionistas acima de 60 anos em 2016, representando 26% do total de investidores da bolsa na época.
✨ O custo de vida elevado e os avanços tecnológicos facilitaram o acesso de investidores mais velhos ao mercado.
O crescimento do número total de investidores na B3 também facilita a presença dos mais velhos, que agora podem gerenciar melhor seus patrimônios devido a um leque mais amplo de produtos e serviços financeiros. Durante a pandemia, a B3 viu um aumento abrupto em seu número de clientes, que saltou de apenas 500 mil para mais de 5 milhões.
Apesar do aumento, os investidores com mais de 60 anos ainda têm uma presença proporcional menor comparada a 10 anos atrás. A representatividade deste grupo caiu de 26% para cerca de 15,6%. Esse fenômeno é evidenciado pela mudança nas dinâmicas demográficas e pelos desafios psicológicos relacionados ao investimento em bolsas de valores.
"A educação financeira é crucial para que os idosos possam entender os riscos e as oportunidades do mercado de ações
Atualmente, o número de investidores idosos na B3 representa 10,4% do total, mas as dificuldades de aceitação e os medos financeiros ainda são grandes obstáculos a serem superados.
Carlos Castro, CEO da plataforma SuperRico, relaciona esse crescimento ao que ele chama de 'inflação da saúde', onde o aumento dos custos médicos pressiona a renda dos idosos. Enquanto a inflação geral foi de 4,64%, os serviços de saúde têm registrado elevações muito superiores, alterando o estilo de vida dos mais velhos.
Por sua vez, a educação financeira assimilada pela internet tem permitido que os idosos compreendam que a bolsa pode proporcionar uma renda extra para enfrentar esses novos desafios.
O relatório trimestral da B3 revela que, entre investidores a partir de 60 anos, as mulheres representam uma fatia maior em comparação aos homens. Cerca de 11% das investidoras que operam na bolsa têm mais de 60 anos, enquanto esse número é de 7% entre os homens. Essa participação crescente das mulheres reflete responsabilidades financeiras maiores e uma expectativa de vida superior.
✨ As mulheres dominam em números, mas os homens costumam aportar valores maiores.
Dessa forma, embora o crescimento do número de investidores mais velhos seja significativo, a proporção desse grupo em relação ao total de investidores ainda é baixa. A educação financeira e o engajamento contínuo serão essenciais para encorajar mais pessoas nessa faixa etária a explorarem as oportunidades do mercado de ações.
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