São Paulo autoriza retificação de registro civil após abuso materno
Decisão reconhece violência e exploração sexual sofridas por Heloísa

A Justiça de São Paulo autorizou a alteração do registro civil de Heloísa Alves Duque Rodrigues para remover os sobrenomes de sua mãe, em resposta a evidências de violência e abuso sexual que ela enfrentou desde a infância.
Histórico de abusos e exploração
Heloísa relatou que sua mãe permitia a exploração sexual ao 'rifar as filhas' em troca de benefícios como moradia, e que os abusos começaram quando ela tinha apenas nove anos, com relatos de várias violações perpetradas por homens que pagavam pela sua companhia.
✨ Durante o processo, a autora descreveu situações de tortura, incluindo queimaduras e empurrões sobre cacos de vidro.
Decisão judicial e limites legais
Embora o juiz tenha consentido com a mudança do nome para preservar a dignidade da vítima, a solicitação de exclusão total do nome da mãe foi negada, fundamentada no princípio que reconhece a identidade biológica.
Entendimento da Justiça
O magistrado ponderou que os registros civis devem refletir a identidade biológica e histórica, mesmo em casos de indignidade materna, evitando que o Direito seja utilizado para 'apagar' fatos reais.
A defesa de Heloísa recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo, argumentando que permitir a manutenção do vínculo materno em um contexto de violência perpetua a injustiça sobre a vítima.
✨ O caso é considerado inédito, pois envolve um pedido de desconstituição de filiação por crimes graves cometidos por uma mãe contra sua filha.
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