Defensoria alega erros na consideração de confissão em condenação.

O Supremo Tribunal Federal (STF) definirá entre os dias 11 e 18 de setembro o julgamento do recurso impetrado pela Defensoria Pública da União (DPU) que questiona o cálculo da pena do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL). O ex-parlamentar foi condenado em junho a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, acusado de coação no curso do processo.
A condenação está ligada à sua atuação em conjunto com autoridades americanas, incluindo o então presidente Donald Trump, com o objetivo de pressionar pela imposição de sanções a ministros do STF e ao Brasil, visando beneficiar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O recurso, protocolado em julho, é do tipo embargos de declaração. A DPU não contesta os fatos que levaram à condenação, mas denuncia uma contradição no acórdão. Segundo o documento, os quatro ministros que compuseram a Turma trataram declarações de Eduardo como uma confissão do crime para fundamentar a sentença.
✨ Eduardo Bolsonaro foi considerado culpado por coação no curso do processo, mas a Defensoria alega que seus comentários deveriam ter sido levados em conta para uma possível redução da pena.
O relator do caso, Alexandre de Moraes, destacou que o ex-deputado "confessou expressamente o delito" em suas entrevistas, e outros ministros, como Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, reforçaram essa interpretação. Flávio Dino também utilizou o termo 'confissão' ao discutir a intenção de Eduardo de cometer o crime.
Entretanto, a discussão permanece se essa confissão será considerada um atenuante no cálculo da pena, algo que a Defensoria argumenta ser um erro, já que isso contraria tanto o Código Penal quanto precedentes do STJ e do STF.
Os embargos de declaração têm como objetivo corrigir eventuais contradições ou omissões na decisão, e não reavaliar o mérito. Se a Turma aceitar o recurso, a pena pode ser recalculada; caso contrário, a condenação de quatro anos e dois meses será mantida, e o processo avançará para a execução da pena.
Os votos dos ministros serão registrados no sistema de julgamento virtual do STF até o dia 18 de setembro.
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Jornalista especializado em Justiça

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