Julgamento pode impactar 1,7 milhão de profissionais da uberização.

O Supremo Tribunal Federal (STF) pode retomar na quinta-feira (27) a análise de questões que abordam aspectos do Marco Civil da Internet, especialmente sobre o vínculo entre plataformas digitais e seus trabalhadores, como motoristas e entregadores.
A sessão começará com uma ação proposta pela Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), que questiona a necessidade de autorização judicial para acessar dados de tráfego de usuários da Internet. Isso inclui informações que podem identificar usuários de um determinado IP.
O caso foi iniciado em dezembro de 2025, durante uma sessão virtual, onde o relator Cristiano Zanin e o ministro Dias Toffoli manifestaram apoio à validade do Marco Civil. Zanin argumentou que dados cadastrais básicos dos usuários, tais como nome e endereço, podem ser acessados por autoridades sem a necessidade de autorização judicial, diferentemente dos dados de tráfego, que exigem decisão judicial específica.
Os ministros também discutirão recursos de empresas digitais que contestam decisões da Justiça do Trabalho que reconhecem o vínculo empregatício de seus motoristas e entregadores. A Justiça alega que esses serviços constituem o núcleo da atividade dessas empresas, enquanto elas se defendem como meras plataformas de tecnologia.
✨ A decisão do STF poderá influenciar mais de 1,7 milhão de trabalhadores em aplicativos de serviços.
O próximo voto a ser apresentado será do presidente do STF, Edson Fachin, que é relator de um recurso da Uber. Fachin argumenta que o tribunal deve fornecer uma resposta equilibrada e sensível, considerando as implicações sociais do tema.
Uma questão central a ser debatida é a nova convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece diretrizes globais de proteção para trabalhadores em plataformas digitais, como a garantia de condições de trabalho seguras e direitos à negociação coletiva.
A Advocacia-Geral da União defendeu que sejam assegurados direitos mínimos aos trabalhadores, enquanto o Ministério Público do Trabalho propôs que o vínculo empregatício seja avaliado caso a caso, considerando as especificidades de cada situação.
✨ Ministros discutem se avançarão em uma tese que reconheça proteções mínimas para os trabalhadores.
Nos bastidores, a expectativa é que Fachin articule um voto que busque um meio termo, oferecendo garantias mínimas ou reconhecendo formalmente vínculos empregatícios. Ao mesmo tempo, decisões individuais podem sugerir que o Supremo tende a afastar o vínculo.
Outro recurso a ser analisado envolve a Rappi, que contestou uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais sobre o vínculo de um motofretista.
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Jornalista especializado em Justiça

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