Preços do cacau sobem com riscos climáticos na próxima safra
Mercado reage à incerteza climática apesar de colheita promissora.

Os preços do cacau apresentaram alta nas últimas semanas, embora a produção na colheita em andamento sinalize um aumento na oferta global. Esse fenômeno reflete uma mudança na perspectiva do mercado, que agora considera os riscos climáticos para a próxima temporada (2026/27) como um fator preponderante, superando as condições atuais de oferta.
Lucca Bezzon, analista de cacau da StoneX, destaca que o mercado é impactado por dois fatores opostos. Enquanto a safra de 2025/26 mostra resultados positivos em grandes países produtores, principalmente na África Ocidental, a expectativa é de um aumento na produção e recuperação dos estoques. Por outro lado, os investidores começaram a ajustar suas cotações considerando os riscos climaticos.
"O mercado está dando mais importância no momento para o próximo ciclo, mais do que a gente está vendo hoje, já que esse saldo que a gente está vendo agora já se concretizou, o mercado já precificou isso.
A atenção se concentra nas condições climáticas do Oeste Africano, que é responsável pela maior parte da produção global de cacau. Em junho, a Costa do Marfim e Gana tiveram chuvas acima da média, o que gerou preocupações sobre a próxima colheita. Bezzon comenta que essas chuvas intensas podem ser prejudiciais para os cacaueiros devido ao aumento do risco de doenças.
✨ O excesso de umidade propicia o encharcamento do solo, favorecendo a proliferação de doenças fúngicas, uma das principais preocupações dos produtores.
Contexto
Os meses seguintes são cruciais para o desenvolvimento da safra de cacau, que será iniciada em outubro. Um regime de chuvas equilibrado entre junho e setembro é vital.
A possibilidade do fenômeno El Niño intensifica as preocupações, pois historicamente, está associado à diminuição das chuvas na região. A combinação de chuvas excessivas seguidas de períodos secos pode ser desastrosa para a produtividade das lavouras.
Análises sugerem que o El Niño também poderá afetar a produção interna, especialmente na Bahia, onde a tendência é de um clima mais seco. O impacto foi notável em 2023, quando a produção caiu tanto na Bahia quanto no Pará.
Enquanto o cenário climático preocupa, a StoneX aponta que a demanda global por cacau é consideravelmente mais baixa comparada a 2023 e 2024, quando os preços dispararam acima de US$ 12 mil por tonelada.
Nesse cenário de consumo enfraquecido, a consultoria prevê uma estabilidade nos preços internacionais, com expectativas em torno de US$ 4.700 por tonelada para o restante do ano, e estimações variando entre US$ 4.500 e US$ 5.500 até o fim de 2026.
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