Corte de 18% pode comprometer fiscalização e serviços essenciais

O bloqueio de 18% no orçamento das agências reguladoras federais ameaça a fiscalização e a qualidade dos serviços prestados à população, segundo alerta de Guilherme Sampaio, presidente do Comitê das Agências Reguladoras Federais (Coarf).
Esse corte faz parte de um bloqueio total de R$ 22,1 bilhões no Orçamento de 2026, implementado pelo governo federal no final de maio. Sampaio enfatiza que a contínua redução de recursos tem comprometido a capacidade de operação desses órgãos.
Um bloqueio orçamentário é uma medida que suspende temporariamente a aprovação de gastos, utilizados pelo governo quando as obrigações financeiras crescem além do esperado. Isso ocorre para evitar que os gastos excedam o limite permitido.
Sampaio afirma que, ao longo de cinco a dez anos, as agências sofreram uma redução de aproximadamente 40% em seus orçamentos, tornando as consequências do novo bloqueio ainda mais alarmantes. 'Com esse contingenciamento, as agências enfrentarão desafios críticos para suas operações', disse.
✨ O maior bloqueio foi para a ANTT, que perdeu R$ 57 milhões, colocando em risco ações estratégicas futuras.
A situação da ANTT é particularmente preocupante. Sampaio menciona que eventos como leilões de concessões, fiscalização do transporte e modernização tecnológica estão comprometidos. Sem recursos suficientes, a agência poderá enfrentar dificuldades em cumprir obrigações essenciais.
Além da ANTT, outras agências também foram afetadas. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) terá que cortar 40% de suas atividades de fiscalização, impactando a certificação de aeronaves e o treino de pilotos. A ATP também relatou a suspensão de eventos importantes para a segurança operacional do setor aéreo.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) expressou preocupação com os impactos potenciais de seu bloqueio de R$ 34,2 milhões, enquanto a Anatel trabalha para revisar suas atividades frente ao novo cenário de restrições.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), também afetada com um bloqueio de R$ 34,3 milhões, alertou para a possibilidade de atrasos em processos críticos que podem impactar todo o setor elétrico.
Em resposta, o Ministério do Planejamento destacou que os cortes foram distribuídos de forma proporcional entre os ministérios e órgãos governamentais, reforçando que a situação orçamentária é complexa.
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Jornalista especializado em Política

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