Câmara debate fim da jornada 6x1 e empresários pedem cautela
Discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição geram divisão

Representantes de empresários expressaram preocupações quanto à discussão sobre a redução da jornada de trabalho em um ano eleitoral, solicitando um prazo para adaptação às novas regras. A Câmara dos Deputados iniciou debates sobre uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim do modelo de trabalho 6x1.
Tensão entre setores
Na reunião da comissão especial, os empregadores destacaram que a atual proposta deveria ser explorada em um contexto menos apressado. Alexandre Herculano Coelho de Souza Furlan, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), defendeu uma discussão mais aprofundada, considerando a urgência da época eleitoral como um fator que poderia obscurecer a análise.
Advogada de uma das confederações, Luciana Diniz Rodrigues, endossou essa visão, afirmando que as discussões devem ser feitas com maior cuidado. Rodrigo Hugueney do Amaral Mello, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apontou a importância de não tomar decisões precipitadas durante um ciclo eleitoral.
✨ A PEC é uma prioridade do governo Lula, com expectativa de aprovação ainda em 2026.
Necessidade de transição
Os empresários solicitaram um período de transição para a nova jornada de trabalho, argumentando que a implementação imediata poderia sobrecarregar a economia. Genildo Lins de Albuquerque Neto, da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), ressaltou a importância de uma gradualidade no processo.
Elizabeth Regina Nunes Guedes, da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), destacou que uma decisão apressada poderia comprometer o funcionamento das escolas. "Reduzir a carga horária sem uma estratégia clara é inconsistente e pode prejudicar seriamente nossas instituições", afirmou.
Posição do governo
O governo, por sua vez, se opõe à ideia de um período de transição e defende a aplicação imediata das novas regras após a aprovação da PEC. Bruno da Silva Vasconcelos, do Sistema OCB, mencionou que mudanças significativas não devem ser feitas de forma abrupta, mas ressaltou que o debate sobre a jornada é importante.
Fortalecimento das negociações coletivas
As confederações enfatizaram a importância de fortalecer as negociações coletivas entre patrões e trabalhadores, como a maneira mais eficaz de adaptar a nova jornada de trabalho às necessidades específicas de cada setor. Karina Zuanazzi Negreli, da FecomercioSP, destacou que esse modelo é essencial para a sustentabilidade das novas medidas.
Maria Rita Catonio Barbosa, da Furjan, complementou que o fortalecimento das negociações é vital para proteger os empregos e as particularidades de cada região.
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