Assembleia Nacional poderá debater demanda antes da eleição presidencial.

Uma petição que exige a cassação da licença de transmissão da CNews ultrapassou a marca de 500 mil assinaturas nesta segunda-feira, 2. Com o número alcançado, a Assembleia Nacional da França tem a possibilidade de examinar a demanda e promovê-la para debate no plenário, em um momento crítico, a poucos meses da eleição presidencial.
Antes de ser discutido no plenário, o texto será analisado pela Comissão de Assuntos Culturais e Educação da Assembleia, convocada pelo presidente Alexandre Portier para uma reunião nesta terça-feira, 3. A formalização da discussão depende do aval do colegiado, uma vez que outras iniciativas anteriores com adesão similar acabaram arquivadas.
✨ A petição critica a CNews como uma "máquina de propaganda", destacando sanções já impostas pelo órgão regulador e a divulgação de discursos de extrema-direita por comentaristas.
A repercussão da campanha aumentou após um atentado racista ocorrido em Trappes, nos arredores de Paris, em 23 de outubro, levando lideranças de esquerda, como o prefeito Ali Rabeh, a acusar o canal de incitar hostilidade contra imigrantes e descendentes. Em resposta, a emissora declarou à AFP que evitará comentários sobre a "petição política".
Sob o controle da Vivendi, grupo do bilionário Vincent Bolloré, a CNews é comumente chamada de "Fox News francesa", devido ao seu enfoque em debates opinativos sobre imigração, criminalidade e identidade nacional. A concentração midiática nas mãos de Bolloré atrai críticas constantes de sindicatos e defensores da liberdade de imprensa, especialmente após sua contratação da jornalista russa Xenia Fedorova, ex-diretora da extinta RT France, que não pode mais atuar na União Europeia após a invasão da Ucrânia.
Partidários da petição argumentam que a medida é uma forma de combater a desinformação e o racismo, enquanto críticos alertam que o fechamento do canal estabeleceria um precedente perigoso para a liberdade de expressão. A expectativa é que, caso a comissão parlamentar decida avançar no processo, o tema se torne uma das questões mais polêmicas na corrida eleitoral francesa.
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