Pesquisa revelou que atividade física reduz acúmulo de proteínas tau no cérebro.

Um estudo publicado na revista Nature Medicine revela que caminhar diariamente, especificamente 3 mil passos, pode auxiliar na desaceleração das mudanças cerebrais associadas ao Alzheimer. A pesquisa acompanhou quase 300 idosos com sinais iniciais da doença por um período de nove a 11 anos, utilizando pedômetros para medir a atividade física.
Os pesquisadores notaram que, embora a atividade física não tenha reduzido a formação das placas de amiloide, que são alvo de muitos tratamentos atuais para o Alzheimer, ela conseguiu diminuir o acúmulo de proteínas tau mal dobradas em áreas específicas do cérebro. Estas proteínas são mais prevalentes em estágios mais avançados da doença e estão diretamente ligadas ao declínio cognitivo.
✨ Os benefícios começaram a aparecer com apenas 3 mil passos, o equivalente a aproximadamente meia hora de caminhada moderada.
A faixa mais benéfica para a atividade física foi identificada entre 5 mil e 7,5 mil passos diários, onde o efeito se estabilizou. Essa descoberta sugere uma meta realista para idosos sedentários, em contraste com a comum referência de 10 mil passos diários.
Apesar de suas limitações, como a amostra predominantemente branca e com alto grau de escolaridade, o estudo destaca a importância da atividade física. Pesquisas anteriores já indicaram que pessoas moderadamente ativas têm até 50% menos risco de desenvolver demência. Além disso, a prática regular de exercícios também está ligada a melhores indicadores de saúde geral, como saúde cardiovascular e sono melhorado.
A atividade física traz benefícios biológicos que incluem a melhora da saúde cardiovascular e o aumento do fluxo sanguíneo para o cérebro, além da produção de substâncias que facilitam as conexões entre as células nervosas. Entre essas substâncias estão a irisina e o BDNF, ambos relacionados ao exercício.
Um pequeno estudo adicional com 15 pessoas com Alzheimer leve a moderado mostrou que a técnica de caminhada nórdica, que envolve o uso de bastões, pode ajudar a manter a função cerebral ao longo de 24 semanas, melhorando até algumas habilidades, em comparação com outro grupo que seguiu apenas cuidados padrão.
A combinação de atividade física, exposição à luz natural e interação social pode oferecer efeitos protetores. No entanto, os autores ressaltam que é necessário ajudar os idosos a superar barreiras que dificultam a prática de exercícios ao ar livre, como medos de quedas ou preferências por ambientes mais confortáveis.
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