Pesquisa mostra associação entre vaping e saúde mental comprometida em crianças e adolescentes.

Um estudo publicado na revista científica Nature apresenta evidências de que o uso de cigarros eletrônicos por crianças e adolescentes está relacionado a diversos efeitos adversos à saúde, incluindo transtornos mentais e uma maior probabilidade de iniciar o tabagismo convencional.
Assinado pelos médicos William D. Carroll e Francis J. Gilchrist, do Staffordshire Children’s Hospital e da Universidade de Keele, no Reino Unido, o artigo faz parte de uma revisão sistemática divulgada em agosto.
Os autores explicam que os cigarros eletrônicos foram introduzidos na década de 2000 como uma alternativa para ajudar fumantes a deixarem o tabaco. No entanto, a revisão concluiu que o vaping na infância e adolescência tem forte correlação com problemas como tosse, desconforto torácico e chiado, além de maior prevalência de doenças bucais e dentárias, incluindo inflamação gengival e úlceras.
✨ O estudo também destaca o surgimento de condições alérgicas, como dermatite atópica e rinite alérgica em usuários jovens.
Além dos riscos físicos, a revisão revela que o uso de cigarros eletrônicos está associado a problemas de saúde mental, como depressão e ideação suicida, aumentando a chance de que jovens usuários tenham pensamentos suicidas em comparação a não usuários.
O estudo também aponta taxas elevadas de parto prematuro e desenvolvimento motor imaturo em bebês cujas mães usaram vaporizadores durante a gestação.
Um dos achados mais preocupantes dos pesquisadores é a constatação de que o vaping entre jovens que nunca fumaram aumenta a probabilidade de começar a fumar cigarros convencionais. Usuários de dispositivos eletrônicos apresentaram uma chance entre duas a doze vezes maior de iniciarem o tabagismo.
Os autores pontuam que a formulação de produtos com sais de nicotina e sabores atrativos tem como alvo os jovens, o que agrava essa situação.
A revisão também discute os componentes prejudiciais dos cigarros eletrônicos, que incluem metais pesados e compostos tóxicos sem regulação. Embora os impactos a longo prazo permaneçam desconhecidos, os pesquisadores destacam que muitas dessas substâncias são potencialmente inflamatórias e carcinogênicas.
Os autores apelam por uma atuação governamental para legislar e regular o uso destes produtos, enquanto reconhecem que os vaporizadores podem ser mais eficazes que outras terapias de reposição de nicotina para adultos.
No entanto, eles alertam que a promoção dos cigarros eletrônicos como uma alternativa segura ao tabagismo levou a consequências inesperadas para a saúde de jovens não fumantes.
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Jornalista especializado em Saúde

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