Especialistas defendem a substituição de eponimos por termos mais informativos.

A prática de nomear doenças em homenagem a médicos ou pacientes, como a tireoidite autoimune crônica, conhecida popularmente como síndrome de Hashimoto, está sendo criticada por especialistas. Eles afirmam que esses nomes podem prejudicar a compreensão das condições e perpetuar estigmas sociais.
O termo síndrome de Hashimoto homenageia o cirurgião japonês Hakaru Hashimoto, que descreveu a doença em 1912. Ela afeta a produção de hormônios pela glândula tireoide e pode resultar em hipotireoidismo. Do mesmo modo, a doença de Creutzfeldt-Jakob, que recebeu o nome de dois médicos, tem gerado debates sobre sua nomenclatura, com alguns especialistas sugerindo a inversão da ordem dos sobrenomes.
O estigma é evidenciado quando se observa a origem do nome da trissomia do cromossomo 21, que foi intitulado síndrome de Down após propostas do médico John Langdon Down. Seu estudo, que relacionava características físicas de pessoas com a síndrome a grupos étnicos, gerou o antigo termo 'mongolismo', o qual foi alterado apenas em 1951. Hoje, a Organização Mundial da Saúde recomenda o uso de 'trissomia do cromossomo 21' como uma forma de respeitar a dignidade das pessoas afetadas.
A OMS também propôs, em 2015, diretrizes para a nomeação de novas doenças, desaprovando o uso de sobrenomes, localizações geográficas e etnias, argumentando que esses termos podem gerar estigmas e desencadear discriminações. A instituição enfatiza a necessidade de nomes que sejam descritivos e baseados em sintomas.
✨ Nomes de doenças com origens em eponimos podem causar dificuldades na compreensão e perpetuar estigmas, levando especialistas a advogar por termos mais informativos.
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Jornalista especializado em Saúde

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