Frigoríficos brasileiros adaptam estratégias diante da cota imposta

A recente pausa da China nas importações de carne bovina do Brasil, após atingir a cota de 1,1 milhão de toneladas com a tarifa reduzida, pode afetar os planos dos frigoríficos nacionais e impactar suas margens de lucro.
✨ Espera-se que as exportações para a China sejam suspensas entre julho e outubro de 2026.
As vendas de carne para o país asiático sofrerão uma tributação extraordinária de 55% após o esgotamento da cota. Em um encontro recente na Sial China, vários executivos do setor expressaram a necessidade de realizar ajustes nas operações para lidar com essa nova realidade.
Marcos Alexandre Domingues, presidente da Iguatemi Foods, comentou que, embora o cenário atual apresente desafios, o setor está preparado para enfrentar a tempestade com estabilidade. Segundo ele, está havendo uma adaptação para explorar novos canais de distribuição sem cortar a produção drasticamente.
Luciano Pascon, CEO da Frigol, relevou que a situação não indica uma crise severa, sublinhando que o setor continua a ter demanda. Ele avaliou, entretanto, que haverá um período de desconforto e reestruturação após o término da cota.
✨ A China, um dos maiores compradores globais de carne bovina, representa 42% das vendas da Frigol em 2025.
Para lidar com a redução da demanda chinesa, as empresas estão aumentando a venda interna e redirecionando suas exportações. A Masterboi, por exemplo, está focando em linhas premium e busca novas oportunidades de mercado.
Flávio Silva, gerente de exportação da Masterboi, revelou que a empresa está adotando uma abordagem proativa ao mercado interno, previu aumento de preços para cortes utilizados em churrascos devido à maior demanda relacionada ao evento da Copa do Mundo e ao incremento do fluxo de caixa perto das eleições.
Com as incertezas em torno das exportações, muitos execuções alertaram para a necessidade de proteção financeira, citando a importância de garantir a rentabilidade por meio de estratégias conservadoras.
Pecuaristas são esperados a ajustar suas práticas de vendas, e a expectativa é de que a cotação da arroba do boi passe por flutuações ao longo do ano, com a produção se adequando ao novo cenário de demanda.
Roberto Perosa, presidente da Abiec, indicou que, apesar do quadro desafiador, existe um potencial de crescimento no mercado interno, embora a produção de carne possa ser ligeiramente reduzida.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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