Movimento aponta para uma mudança de mentalidade no campo, com foco em aluguéis em vez de compras

A entrada de uma nova geração de produtores está contribuindo para o aumento do aluguel de máquinas agrícolas no Brasil. Segundo dados da Receita Federal, já existem mais de 9 mil empresas desse setor no país.
Lucas Bonato, produtor de 28 anos de Campos Lindos, em Tocantins, questiona: “Para que vou querer comprar uma colheitadeira se vou usá-la somente durante quatro ou cinco semanas ao longo de toda a safra?” Essa visão contrasta com a de seu pai, José Bonato, que acredita na aquisição de equipamentos duráveis.
✨ Estudo do Projeto Campo Futuro da CNA mostrou que de 2019 a 2025, preços de máquinas agrícolas subiram entre 57% e 225%.
Lucas argumenta que, em um ambiente de juros elevados e crédito restrito, é mais sensato evitar a imobilização de capital em equipamentos que não são utilizados o tempo todo. Essa filosofia é similar ao que os urbanos fazem ao optar por usar aplicativos de transporte em vez de comprar um carro.
Eduardo Martinatti, diretor comercial da RZK Rental, menciona que há uma mudança na mentalidade dos produtores, especialmente nas fazendas em processo de sucessão. A empresa projeta crescimento de 3,5% neste ano e 10% até 2027.
A pesquisa da Boschi Inteligência de Mercado (BIM³) revela que 38% das propriedades rurais no Brasil alugam colheitadeiras, 19% recorrem a pulverizadores e 11% usam tratores. Além disso, muitas empresas de aluguel estão personalizando suas ofertas, ajustando os preços de acordo com a receita do produtor.
A BrasilAgro, produtora de diversas culturas, também utiliza o aluguel como complemento. O diretor financeiro Gustavo Javier Lopez destaca que, apesar de possuir uma frota própria, a locação se torna vantajosa, especialmente na renovação de equipamentos.
O relatório Rental Market Report da KPMG, em parceria com a Analoc e Sobratema, prevê que o setor de aluguel de máquinas e equipamentos deve faturar R$ 52,9 bilhões em 2026, um aumento de 7% em relação a 2025.
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